Categoria: Receitas

Receitas de família – doces e salgadas – colocadas em prática e sugestões para preparar em casa pratos de restaurantes.

A importância da confusão de fim de ano e uma receita de carne louca para festinhas

De repente todos se lembram que precisam mesmo se ver, aquele almoço adiado 12 meses finalmente vai sair, bares lotados com as festinhas da firma, ruas lotadas com as festinhas da escola, a cabeça lotada com as tarefas do mês espremidas em menos dias. Por que essa urgência pelas confraternizações de fim de ano? Porque é importante marcar o fim do ciclo. Eu não achava, mas agora acho.

Nos últimos dois anos, meu ano não acabou. Dezembro foi igual a janeiro, que emendou com fevereiro, e a vida seguiu. Não vou dizer (mesmo) que tenho saudade das baladinhas que encerravam meus ciclos de funcionária. Colegas se maquiando nos banheiros, latas de cerveja espalhadas no estacionamento, comentários sobre quem não perdeu a oportunidade de passar vergonha.

Mas sinto falta do kit peru de Natal distribuído pelo RH. E sinto falta do encontro com os colegas para dizer: ufa, acabou. Mesmo que a gente ainda tenha vários dias de trabalho à frente. Mesmo que tenha sido um ano difícil, mesmo que tenha sido um ano fácil (hahaha).

Feirinha

Empreender às vezes é solitário à beça. Foi esse um dos motivos para eu ter inventado o Pequeno Bazar Receitas de Família, uma feirinha gastronômica para reunir gente que, como eu, gosta de cozinhar e falar de comida. Ralamos o ano todo, vamos ralar um pouco mais e fazer uma confraternização, ué?!

Aconteceu em 9/12, na casa Cook It Here, em São Paulo, e foi lindo: preparamos pratos gostosos, recebemos amigos/clientes que também amam cozinha, comemos, bebemos, trocamos receitas e histórias. No final, exaustos, compartilhamos o que havia sobrado das vendas, num piquenique melhor que qualquer festinha da firma de que já participei.

Obrigada a quem embarcou nessa comigo (é com vocês, Bar do Luiz FernandesBrigadolasConta-GotasCook itCozinha Bruta.Cru, Dona Doceira, Fatia Pães ArtesanaisGervas – Assados e PedidosLubie e Sem Medida). Agora, que venha 2019.

Para quem perdeu a feirinha (e também para quem não perdeu), eu deixo a receita da carne louca que servi por lá. Quem sabe você não prepara para a sua confusão, ops, confraternização?

Receita de carne louca

Receita de carne louca

Ingredientes

  • Azeite
  • 1 kg de acém, coxão mole, paleta ou outra carne que possa ser desfiada
  • Caldo de carne
  • 500 g de tomate
  • 1 cebola grande ou 2 cebolas médias
  • 2 dentes de alho
  • 1 pimentão vermelho pequeno
  • 1 pimentão verde pequeno
  • Sal

Modo de preparo

1. Em uma panela de pressão aberta, aqueça um pouco de azeite e doure todos os lados da peça de carne.

2. Cubra a carne com caldo de carne e feche a panela. Quando pegar pressão, baixe o fogo e cozinhe por uma hora. Espere a panela perder totalmente a pressão, então abra e observe se a carne já está bem macia, se desfazendo. Se não estiver, retorne à pressão e cozinhe mais alguns minutos. Se estiver, passe para os procedimentos seguintes.

3. Mantenha a carne no fogo, agora sem tampa. Acrescente os tomates batidos no liquidificador.

4. Em uma frigideira à parte, doure em azeite a cebola e o alho picados, em seguida despeje-os na panela com a carne e o tomate. Refogue também o pimentão cortado em tiras e acrescente na panela.

5. Transfira pedaços da carne para uma tábua, os desfie com um garfo e uma faca, depois os coloque de volta na panela.

6. Cozinhe até o molho apurar, então acerte o sal.

7. Fica ótimo como recheio de sanduíche.

Geleia de casca de mexerica — memórias saborosas de uma viagem a Tiradentes

Geleia de mexerica e broa de fubá da pousada Armazém 26

Eu já tinha gostado da geleia de mexerica, mas caí de amores mesmo quando soube de quem era a receita: vovó Maricota. Não, não a conheci. Mas não consigo pensar em um nome melhor para uma avó mineira fazedora de quitutes. De repente todas as histórias que a neta Laura estava ali me contando faziam mais sentido. Não eram só lembranças de uma avó docinha, que preparava bolos sempre que recebia as cinco netas em sua casa em São João del Rei. Era a vovó Maricota.

Maria Aparecida Lordello Teixeira, a Maricota (foto abaixo), teve sete filhas e dois filhos. Então enviuvou. Morreu quatro décadas depois, aos 92 anos, não sem antes ter ensinado a receita de geleia de casca de mexerica para a filha Maria Inez. Esta, por sua vez, a passou para Laura, uma das três irmãs à frente de uma nova pousada cheia de história em Tiradentes. Laura a passou para mim, e eu logo mais a passo para vocês.

Maria Aparecida Lordello Teixeira, a Maricota

Tive a sorte de tomar um café da manhã lá, no Armazém 26, e provar a geleia, o pão de queijo, a broinha moldada na xícara (a massa é girada dentro do utensílio com fubá para ganhar o formato arredondado). Faltou experimentar a coalhada e o bolo de banana.

Mas não comi apenas. Também fiquei sabendo que boa parte da decoração do casarão colonial reformado vem de uma antiga tecelagem da família — das portas de ferro que viraram um painel na recepção ao pé de máquina transformado em mesa de café da manhã.

No saguão, há um cantinho reservado para contar, em fotos e documentos, a história do antepassado italiano fundador de uma fábrica têxtil que sobreviveu a décadas mas não à concorrência dos produtos chineses. Outra herança, a antiga cadeira de um avô dentista, ganhou uma cúpula e se tornou uma grande luminária articulada.

Laura Teixeira Lombardi, da pousada Armazém 26, de Tiradentes

Já na grande cozinha azulejada, com direito a fogão a gás imitando fogão à lenha, a homenageada é mesmo vovó Maricota. “Ela ensinou tudo para mim”, diz Laura (foto acima), a irmã encarregada da cozinha da pousada. Um partezinha desse tudo, a geleia de mexerica, ela compartilhou com a gente na receita a seguir.

Receita

Ingredientes

Mexericas
Açúcar
Suco de limão

Modo de preparo

  1. Lave as mexericas e tire as cascas.
  2. Deixe as cascas de molho em água fria em um recipiente de vidro cobertas com um pano. O pano cobre as cascas sobre a água (ele encosta na água).
  3. Troque a água duas vezes ao dia e lave o pano sempre que a água for trocada. Repita o processo durante cinco dias ou até que a água saia límpida, sem sumo.
  4. Aperte as cascas para tirar a água e bata-as no liquidificador.
  5. Pese a massa de casca de mexerica em uma vasilha. Adicione açúcar cristal em uma quantidade equivalente a 2/3 do total da massa (por exemplo: para 600 gramas de massa, use 400 gramas de açúcar).
  6. Leve ao fogo e mexa até o fundo da panela aparecer quando a colher for passada (lembre que quando esfria ela endurece mais).
  7. Coloque uma colher de suco de limão e mexa.
  8. Espere esfriar e guarde em potes. Pode ser congelada.

fogão da pousada Armazém 26

Para cozinhar mais:

Livro Cozinha de Vó – Histórias e receitas que trazem de volta o sabor da cozinha afetiva

Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante

Maionese vegana de berinjela e alho – ou patê do caderno de receitas da minha mãe

Patê de berinjela e alho

No fim da receita anotada no caderno, minha mãe escreveu: “Muito interessante para canapés ou como recheio de tomates, em substituição à maionese”. Como eu não ando fazendo (e na verdade nunca fiz) festa com canapés, me restava o tomate. Mas resolvi preparar essa pastinha para comer com pão mesmo. Tinha pães feitos numa aula com o Luiz Américo Camargo, presunto de porco moura paranaense (alimentado com pinhão!), umas folhas de rúcula… Foi o que eu chamo de ótimo jantar.

Meu marido é meio contra jantar pão com coisas, precisa de pratão. Mas eu cresci comendo lanche à noite. Me faz feliz, isso de comer uma dose extra de pão no dia. Também cresci vendo minha mãe fazer patês e similares (o similar mais marcante era mousse de gorgonzola, que eu amava e ainda preciso reproduzir). Não sei se hoje as pessoas ainda fazem patê. Talvez façam e digam que é pasta, como eu mesma costumo dizer.

Então chame de patê, de pasta ou de maionese vegana, se achar que o gosto vai ficar melhor. Mas faça, porque esta receita vale a pena. E aproveite a dose extra de pão.

Ingredientes

1 berinjela grande
Sal
6 azeitonas verdes
1 dente de alho
1 colher (sopa) de vinagre
Pimenta-do-reino
Azeite

Modo de preparo

  1. Descasque a berinjela e a corte-a em cubos.
  2. Deixe-a de molho em água e sal por 40 minutos.
  3. Cozinhe os cubos rapidamente em água fervente e escorra a água em seguida.
  4. Bata a berinjela no liquidificador com as azeitonas, o alho, o vinagre e a pimenta-do-reino .
  5. Ainda batendo, acrescente um fio de azeite até formar uma pasta fina, com textura de maionese.
  6. Acerte o sal.​

Para cozinhar mais:

Livro Cozinha de Vó – Histórias e receitas que trazem de volta o sabor da cozinha afetiva

Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante

Pudim de cappuccino – receita brasileira de uma avó romena

Pudim de cappuccino da chef Denise Gelberg, do Espaço D Gastronomia

A chef paulistana Denise Gelberg aprendeu a cozinhar com cartas enviadas pela avó. Então estudante de engenharia de alimentos em Israel, ela recebeu o curso por correspondência quando se deu conta de que não sabia fazer a própria comida – e que comer fora era caro. Com as instruções da avó materna, Lia Schamis, a neta logo estava preparando doces e salgados para os colegas de albergue. Hoje Denise é dona de restaurante, o Espaço D Gastronomia, e ainda coloca em prática as receitas da avó – como o pudim de cappuccino (um pudim de café) que ela ensina logo abaixo.

“Minha avó vivia em frente à TV, anotando receitas dos programas de culinária’’, lembra a neta, que herdou as anotações em folhas avulsas, hoje manchadas e amareladas (foto abaixo)

Lia era romena e se mudou para o Brasil pouco antes da Segunda Guerra. Aqui conheceu o marido – também romeno. Na cozinha, fazia pratos judaicos – vareniques, gefilte fish, língua – e outros bem brasileiros – bolo com goiabada, biscoitinhos de araruta, pudins.

Receitas de Lia Schamis, avó da chef Denise Gelberg, do Espaço D Gastronomia

Os pudins são o tema de um festival que Denise promove até dia 15/11 no Espaço D Gastronomia. É um jeito de falar de suas raízes: o pudim com café está entre os doces que ela mais gostava de comer quando visitava a avó Lia.

Receita de pudim de cappuccino

Ingredientes

400 gramas de leite condensado
2 latas de leite
4 ovos
10 gramas de café solúvel diluído em um pouquinho de leite quente

Modo de preparo

Bata todos os ingredientes no liquidificador. Em seguida, despeje em uma forma de furo, caramelada. Asse em banho-maria em forno a 145º por 40 minutos.

Pudim de cappuccino da chef Denise Gelberg, do Espaço D Gastronomia, visto de perto
Fotos: divulgação

Para cozinhar mais:

Livro Cozinha de Vó
Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante

Ideias de Halloween para quem não teve tempo de pensar em Halloween

Eu não tive tempo — ou disposição,  sei lá — para  pensar em comidinhas de Halloween. Mas meu filho adora, então é provável que eu ainda invente alguma coisa hoje à noite. Algo simples, só uma graça, porque agora já é tarde para pensar em grandes abóboras esculpidas ou algo que o valha.

Se você também está nessa, confira algumas ideias que eu já coloquei em prática aqui em casa:

Banana fantasma

Fantasma de banana

Uma banana, uns pedacinhos de uva-passa, umas horas no congelador e olha a felicidade do garoto.

Lanterna de mexerica

lanterna de mexerica

É só apagar as luzes para transformar a casa em outro mundo. E essa lamparina, que meu fazia quando eu era criança, ajuda a criar o ar mágico.

Para fazer, é preciso descascar a mexerica mantendo uma base e o fiapo do meio, deixar secar (de preferência um dia, mas que der), depois colocar um pouco de óleo de cozinha no fundo da casca e acender o pavio/fiapo.

Sopa do vampiro

sopa russa de beterraba com creme

Ok, é  só uma sopa de beterraba. Mas metade do  gosto é a  história do prato, né? Então vamos à receita.

Ingredientes

3 beterrabas grandes cozidas e descascadas
½ colher de manteiga
2 litros de caldo de carne ou frango (ver parágrafo acima)
2 colheres (sopa) de amido de milho
Sal
Pimenta
Dill
Para acompanhar: creme de leite fresco com algumas gotas de limão ou smetana (leia mais aqui)

Modo de preparo

1. Processe a beterraba quente passando em um passador de legumes ou batendo no liquidificador.  Misture com a manteiga.

2. Leve o caldo para ferver e apurar. Engrosse misturando amido de milho.

3. Junte a beterraba ao caldo e deixe ferver (a consistência da sopa é líquida, com pedacinhos da raiz peneirada).

4. Acerte sal e pimenta.

5. Sirva com dill e creme de leite à parte.

Brigadeiro bichado

Perdão a imagem, é um pedaço de uma foto do último aniversário do Pedro. Se você se esforçar, vai ver os copos de brigadeiro com minhoca. Não é o docinho mais caseiro do  mundo, mas acho que vale pela farra. Prepare assim: coloque uma colherada de brigadeiro em um copinho, esfarele um pouco de biscoito de chocolate por cima, para criar uma “terra”, e termine enfiando uma bala de gelatina em formato de minhoca.

Para cozinhar mais:

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Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante