Picolé de caipirinha: drink gelado de limão ou maracujá

picolé de caipirinha de limão e de maracujá

Eu fiz os picolés de caipirinha inicialmente pensando no Carnaval, mas eles não são uma má ideia para um fim de semana qualquer. Talvez este fim de semana qualquer.

Você pode variar com as frutas de sua preferência, ou mesmo tentar outros drinques. Só não exagere no teor alcoólico, porque:

  • A gente tem a tendência de consumi-lo mais rápido do que toma um drinque, até para o picolé não derreter.
  • Álcool congela a uma temperatura mais baixa que água. Se a proporção dele na mistura for alta, talvez não solidifique. (O site The Spruce Eats sugere quatro parte de água ou suco para uma de bebida alcoólica).

Respeitados os princípios acima, o preparo é simples. Tão fácil quanto fazer uma caipirinha.

Ah, um cuidado adicional: se você tiver criança em casa, não dê bobeira com o picolé no freezer para evitar confusões.

Receita

Ingredientes

  • Água
  • Cachaça boa
  • Limão, maracujá ou a fruta da sua preferência
  • Açúcar

Modo de preparo

  1. Misture 200 ml de água, 50 ml de cachaça boa, fruta (suco de 1 limão ou polpa de 1 maracujá), 3 colheres de chá de açúcar (ou a gosto).
  2. Coloque em formas ou copinhos e espete palitos. Se quiser, no picolé de limão acrescente fatias bem finas da fruta.
  3. Leve ao congelador e espere firmar.

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Sopa de cenoura assada para uma boa noite caseira

Sopa de cenoura assada

Eu gosto de segunda-feira. Gosto de terça, de quarta, de quinta, de sexta. Do sábado e do domingo também. Pensei nisso enquanto tomava esta sopa de cenoura assada e refletia sobre o privilégio que é estar à noite em casa com meu filho.

A panela fumegante ajuda a compor a cena, mas na verdade ela não é o mais importante, apesar de estar no centro da mesa. O que interessa é parar, um voltado para o outro, compartilhar o momento, conversar — “Mas não só conversar, filho. É para comer também”.

Voltando à sopa. Esta, eu fiz de última hora, porque era o tempo que eu tinha, e com os ingredientes que eu tinha. Tostar a cenoura ajuda a acelerar o processo e ainda dá um sabor especial, que você pode chamar de sabor reconfortante de rotina ao lado de quem a gente gosta.

Receita

Ingredientes

  • 1/2 dúzia de cenouras
  • Azeite
  • 1 cebola
  • 2 dentes de alho
  • Orégano, salsinha e cebolinha frescos (ou as ervas que você tiver ou preferir)
  • 1/2 litro de caldo de carne (veja aqui como fazer; ou compre um congelado, como este)
  • Páprica doce
  • Cominho
  • Molho inglês
  • Sal
  • Limão-cravo ou taiti
  • Pão integral
  • Modo de preparo
  1. Corte as cenouras em rodelas e jogue numa assadeira com azeite e uns galhinhos de orégano fresco. Leve ao forno alto, com a grelha superior ligada (se houver), e mexa de vez em quando.
  2. Enquanto a cenoura assa, pique uma cebola e dois dentes de alho e refogue no azeite. Acrescente o caldo de carne, páprica doce, cominho, salsinha, molho inglês, sal.
  3. Quando a cenoura estiver bem dourada, junte-a à sopa. Desligue o fogo e bata tudo com o processador manual (ou transfira para um liquidificador). Se quiser mais densa, volte ao fogo para apurar. Se quiser mais líquida, acrescente água.
  4. Ajuste o sal e complete o tempero com limão espremido.
  5. Na mesma assadeira da cenoura, coloque uns cubinhos de pão integral com azeite e orégano e toste rapidamente no forno. Sirva sobre a sopa, junto com cebolinha picada e um fio de azeite.

 

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Torta de liquidificador: uma receita e um pequeno giro no tempo

Torta de liquidificador é desses pratos que a geração da minha avó aprendeu a fazer com os fabricantes de eletrodomésticos — e adotou com gosto pela praticidade.

Se antes o preparo de doces e salgados era herança passada de mãe para filha ou trocada entre primas e vizinhas, agora não havia mais segredo: estava tudo explicadinho no rótulo do leite condensado, no manual da batedeira, no programa de TV patrocinado pelo supermercado.

Eu exagero, claro. As receitas de família continuaram a existir. Mas, especialmente a partir de meados do século 20, novas preparações se fizeram de casa e antigas preparações ganharam novos ingredientes: quanta banha de porco não foi substituída por margarina, quanto carcaça de frango não se viu trocada por caldo em cubinho.

Antes da pesquisa para escrever o livro Cozinha de Vó, eu nunca tinha parado para pensar que a receita de torta “da minha mãe” foi uma sugestão da indústria para nossa família (ainda que tenha chegado a nós por meio de uma vizinha, que por sua vez a aprendeu com a sogra). Mais óbvia era a origem do creme de legumes que chamávamos de sopa Walita, porque minha bisavó tinha aprendido a prepará-lo em uma aula promovida pela marca.

Assim como a bisa Maria, muitas mulheres recorriam a cursos e demonstrações para se instruir sobre as invenções que prometiam facilitar o dia a dia. A tal modernidade era especialmente sedutora em uma época em que as garotas começavam a partir para o mercado de trabalho, mas ainda eram vistas como únicas responsáveis pela manutenção do lar.

Ou do LAR, em maiúsculas, como no texto de abertura de um livreto de receitas da Walita dos anos 1950:

“A senhora adquiriu um Walita, adquiriu portanto uma fonte inesgotável de saúde, e de economia de tempo.

Ao usar seu Walita na preparação de pratos — e de sucos, a senhora estará aproveitando em seu valor integral todo o teor vitamínico dos legumes e das frutas empregadas nos mesmos. Estará portanto contribuindo para o desenvolvimento sadio do seu filhinho, para o sucesso do seu marido, enfim, para a sua própria felicidade. Felicidade essa, baseada no sorriso franco de um rostinho rosado, no bom humor de um homem bem alimentado e na esposa sadia que está sempre disposta e que com satisfação se dedica ao que há de mais belo na vida: — o LAR.”

Outros tempos esses, que fiquem lá atrás. Mas a torta de liquidificador — ops, torta da minha mãe — eu não vou renegar. Gosto da massa fofa, do sabor simples e bem temperado de ingredientes confortavelmente triviais.

O recheio admite variações de acordo com a despensa: sardinha, presunto e queijo, carne moída. Da última vez que fiz, aproveitei um refogado de frango com tomate que estava congelado e acrescentei palmito, azeitonas verdes sem caroço e orégano.

Receita

Ingredientes

  • 2 xícaras de leite
  • 2 ovos
  • 1/2 xícara de óleo
  • 10 colheres (sopa) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de fermento
  • 1 pedaço de queijo curado (uns 50 gramas)
  • 1 dente de alho
  • Cheiro verde ou outras ervas
  • Pimenta-do-reino
  • Sal a gosto

Modo de preparo

  1. Bata todos os ingredientes da massa no liquidificador.
  2. Despeje parte da massa em uma assadeira untada. Por cima, despeje o recheio e depois o restante da massa.
  3. Asse em forno pré-aquecido a 200 ºC até firmar.

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Bolo relâmpago (relâmpago para um bolo…)

Bolo relâmpago do caderno de receitas da minha mãe

O caderno de receitas da minha mãe chama esse bolo de “relâmpago”, mas acho o nome um tiquinho de exagero, já que a massa leva uns 40 minutos para assar… Um título mais preciso seria “bolo de nada” ou “bolo simples com cobertura de açúcar e canela”…

Quer saber? Caderno de receitas de mãe também tem suas manchetes sensacionalistas. Quem pensa que título caça-clique surgiu com a invenção do clique na internet está enganado.

Mas vamos relevar. O preparo do bolo, fora a parte de assar, é rapidinho mesmo — até com a ajuda do Pedro, meu assistente mirim, que colaborou colocando os ingredientes na tigela e depois levou um pedaço na lancheira (outro eu comi no lanche da tarde).

Então hoje eu vou chamar esta receita de “bolo de segunda-feira”. Quem quiser que invente outro nome.

Ingredientes

  • 10 colheres de sopa de açúcar (mais um pouco para polvilhar)
  • 10 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 3 ovos
  • 1 xícara de leite
  • 1 pitada de sal
  • 1 colher de sopa rasa de fermento químico em pó
  • Canela em pó

Modo de preparo

  1. Bata no liquidificador ou na batedeira o açúcar, a farinha, a manteiga (derretida), os ovos, o leite e o sal. Acrescente o fermento e bata mais.
  2. Despeje a massa (que fica bem líquida) em uma travessa untada e enfarinhada.
  3. Polvilhe açúcar e canela na superfície.
  4. Asse em forno pré-aquecido a 200ºC até o bolo ficar levemente dourado e um palito, quando enfiado no meio da massa, sair sem pedacinhos de massa grudados.

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Procura-se gente para cuidar da merenda escolar

Estrogonofe de Janaina Rueda na merenda escolar de São Paulo
Estrogonofe de Janaina Rueda na merenda escolar (foto: reprodução do Instagram)

Está faltando mãe no poder. Foi o que me passou primeiro pela cabeça ao ouvir a chef Janaina Rueda descrever como eram as merendas em 2016, quando ela começou a refazer o cardápio das escolas estaduais de São Paulo trocando produtos industrializados por ingredientes frescos.

Eu já sabia que o projeto em que Janaina trabalhava como voluntária tinha sido suspenso de uma hora para outra, ou de um governo para o outro, no fim do ano passado. Tinha lido na Folha de S.Paulo que a chef, responsável pelo treinamento de 1.600 merendeiras em três anos, fora jogada para escanteio ao mesmo tempo em que o cardápio andou para trás. Mas uma coisa é ler, outra coisa é ouvir pessoalmente. Foi um soco no estômago escutá-la falar sobre o caso no Food Female, evento que reuniu em São Paulo mulheres que trabalham com alimentação.

Janaina Rueda - Food Female
Janaina no Food Female, evento que aconteceu na última terça na Unibes Cultural, em São Paulo

“Sabe Whiskas de gato? Muito parecido, são uns pouches que ficam fora da geladeira durante dois anos mais ou menos”, contou ela sobre a carne pré-cozida e embalada a vácuo que costumava ser servida às crianças. “Fora isso tinha feijão enlatado, almôndega enlatada com molho rosé… Falei: não vou trabalhar com esse tipo de produto porque não gostaria que meu filho comesse e não quero que os filhos do outros comam.” (E criou novos pratos com ingredientes in natura, de estrogonofe a peixada, que chegaram a 2 mil escolas.)

Ouvindo Janaina, pensei em como ter filhos é oportunidade imensa de desenvolver empatia (uma oportunidade que nem todos aproveitam). A gente sente na própria carne qualquer dor da cria, talvez por isso fique mais permeável às aflições do mundo. Quem sabe também tenha uma propensão menor a alimentar criancinhas com troços que parecem ração? Daí a ideia: colocar mais um monte de mães no poder (porque de pais com poder o mundo já está cheio).

Mas, analisando melhor, a solução não está na maternidade, não. Porque ali estava eu, na plateia da Unibes Cultural, cercada de mulheres, mães ou não, que se emocionaram com o depoimento de Janaina — uma delas, a secretária de Desenvolvimento Econômico da cidade de São Paulo, Aline Cardoso, se comprometeu a falar com o governo de Doria sobre a suspensão do trabalho da chef (a acompanhar).

Talvez as mulheres em geral tenham uma capacidade maior de empatia (um estudo da Universidade de Cambridge diz que sim; na média, é claro). E, se tem uma coisa de que o mundo precisa, é de políticos capazes de entender as necessidades dos outros, e não só as do seu clubinho. Capazes de calçar o sapato dos outros e perceber onde aperta; ou sentar na cadeirinha do refeitório e experimentar o prato do dia. Por exemplo: como você se sentiria se cogitassem trocar o molho de tomate fresco por molho em pó?

Mas aí, depois do Food Female, eu li mais: além de abandonar os menus da Janaina, o governo serviu nas escolas carne de frigorífico interditado pelo Ministério da Agricultura (depois de uma reportagem revelar isso, três funcionários do governo foram demitidos). Quer saber? Ainda sou a favor de maior presença feminina no poder, mas aqui a questão é mais básica. Ninguém precisa ter filhos ou ser mulher para cuidar da merenda. Basta ser gente, mas gente do tipo que vê números — como 3,7 milhões de alunos da rede estadual — e consegue lembrar que são crianças. Ou seja: gente que enxerga gente.