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Bolinho de chuva com banana

bolinho de chuva com banana

Bolinho de chuva é um clássico da comida de vó. Mas não da minha avó materna, Viquinha. Que eu me lembre, ela nunca preparou a receita para os netos – não me ressinto, comi uns bons tantos nas férias no sítio, com minha mãe e a família do meu pai.

Foi dentro de um caderno da vó Viquinha, no entanto, que encontrei esta receita. Estava anotada em um pedaço de papel, em uma caligrafia que não conheço. Preparei para meu filho, em uma tarde preguiçosa como bolinho de chuva pede.

Teste número 78: bolinho de chuva com banana
Fonte – Um pedaço de papel guardado em um caderno de receitas da minha avó Viquinha.
Grau de dificuldade – fácil.
Resultado – Bolinhos disformes e saborosos. Para um dia de chuva ou de sol.

Ingredientes
1 ovo
1/3 xícara de açúcar
1/3 de xícara de leite
1 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
1 banana picada
Óleo para fritar
Açúcar e canela para polvilhar

Modo de preparo
Bata bem todos os ingredientes.

Despeje colheradas da massa no óleo quente e frite até dourar.

Polvilhe com açúcar e canela.

Para cozinhar mais:

Outras receitas com banana.

Ovos nevados — ou nacos de céu

Ovos nevados - O Caderno de Receitas

Nadei bastante até acertar essa sobremesa. Na memória, claras de textura etérea flutuavam como ilhas sobre um mar de creme aveludado (daí o nome em francês, îles flottantes — ilhas flutuantes). Ou como nuvens no prato. Porque, na minha família, ninguém falava îles flottantes, mas ovos nevados, e eu, menina dos trópicos, ouvia neve e pensava em nuvem. Mordia pedaços do céu sempre que minha avó Viquinha fazia o doce — e ela fazia muitas vezes, mas não tantas a ponto de se perder o caráter delicado e festivo. Ovos nevados eram reservados aos almoços ou jantares de adultos bem vestidos, reunidos em torno da mesa para contar histórias que eu nem sempre entendia. Tampouco entendi a receita quando tentei reproduzi-la a partir do que minha avó anotou em um de seus cadernos.

Doce com ovo é coisa para gente grande. Espere demais, murcha. Esquente demais, empelota. Esquente de menos, está cru. Pare de bater, desanda. Fiz praticamente tudo isso na minha primeira tentativa de materializar as lembranças dos ovos nevados. As claras em neve definharam, o creme inglês degringolou e virou uma ambrosia acidental.

Pelo visto, eu não era a única a sentir saudades da sobremesa. Minhas tias que acompanham o blog me perguntavam quando eu faria os ovos nevados da vovó. Uma delas, Esther, no meu último aniversário mandou uma mensagem contando que, em viagens, tenta comer île flottante sempre que encontra no cardápio. Sua favorita nessas andanças é a do Café Constant de Paris. Também comi uma dos deuses no restaurante Le Relais de la Diligence, em Mersault, na Borgonha. Quase tão boa quanto a da minha avó… Um detalhe é que os franceses muitas vezes jogam caramelo e amêndoas por cima das claras, e minha avó jogava raspinhas de limão. O toque cítrico é bem-vindo.

Quando minha mãe veio a São Paulo para o Natal, resolvi tentar novamente. Desta vez, teria a assistência dela, ou pelo menos o apoio moral. Também pesquisei no livro Receitas com Ovos, de Michel Roux, porque o caderno de receitas da minha avó não falava nada de tempos nem explicava procedimentos ou especificava quantidades (ela indicava três garrafas de leite, mas não sei bem o que isso significava na década de 1950, e sugeria açúcar à vontade).

Atentas a cada passo, eu e minha mãe conseguimos uma boa sobremesa para a ceia. Agora que já fiz, nem parece difícil.

Teste número 75: ovos nevados
Fonte –  Caderno de receitas da minha avó Viquinha.
Grau de dificuldade – médio.
Resultado – Um pedaço do céu.

Ingredientes
6 ovos
1 litro de leite
1 xícara e meia de açúcar
Óleo
Raspas de um limão
1 fava de baunilha cortada no sentido do comprimento ou gotas de extrato de baunilha
Canela em pó

Modo de preparo
Separe gemas e claras.

Bata as claras em neve, então polvilhe ¾ de xícara de açúcar por cima e bata mais, até ficarem bem firmes, a ponto de poderem ser cortadas.

Em uma panela larga, aqueça o leite, ½ xícara de açúcar e metade das raspas de limão (só a parte verde; a branca é amarga). Quando começar a ferver, baixe o fogo para não espumar.

Posicione uma tigela de água fria perto da tigela com as claras e o fogão. Usando uma colher grande, pegue uma colherada de claras batidas. Afunde a colher no leite para que a ilha se solte. Limpe a colher na água fria, então pegue outra ilha e coloque no leite. Deixe que as ilhas cozinhem pelo menos dois minutos de um lado, depois as vire e cozinhe outros dois minutos. Retire com uma escumadeira, deixe escorrer um pouco sobre um pano, depois transfira para uma tigela. Repita o procedimento até dar conta de toda a clara (na minha panela, cozinhei duas ou três claras por vez; mais do que isso, era difícil movê-las com a colher e a escumadeira). Reserve as claras cozidas na geladeira.

Acrescente a baunilha ao leite e suba o fogo para médio.

Em uma tigela, bata as gemas com o restante do açúcar até chegarem ao ponto de fita (quando escorre do batedor, a mistura forma uma fita).

Despeje gradualmente o leite fervente sobre as gemas sem parar de batê-las, depois volte a mistura para a panela. Em fogo baixo, siga mexendo com uma espátula ou uma colher de madeira. Estará pronto quando o creme formar uma camada fina sobre a madeira do utensílio, e um dedo passado sobre essa camada abrir uma trilha que não se fecha imediatamente. Tire então do fogo e espere esfriar mexendo de vez em quando.

Despeje o creme frio sobre as claras em neve. Polvilhe canela e salpique as raspas de limão restantes. Deixe na geladeira até a hora de servir.

Para cozinhar mais:

Babaganuche com berinjela tostada direto na chama do fogão

Babaganuche - pasta de berinjela
A matéria-prima é outra, mas a receita desse babaganuche lembrou um lanche rápido da infância: queijo espetado no garfo e levado à chama do fogão até ficar levemente derretido e tostado (não sem antes espalhar cheiro bom pela casa). Por acaso ou não, a receita da pasta de berinjela libanesa está no caderno da minha mãe, que nunca deixava faltarem patês e afins quando recebia convidados em casa.

Segui o exemplo dela e preparei o babaganuche em um dia em que amigos viriam almoçar. Na verdade, preparei quando eles já estavam aqui: o recurso de levar a berinjela diretamente à chama da boca do fogão acelera bem o processo. Servi com pão de nozes recém-saído do forno (já dei aqui a receita do pão, tirada do livro Cooking. Segredos E Receitas).

Teste número 74: babaganuche
Fonte –  Caderno de receitas da minha mãe.
Grau de dificuldade – Fácil demais.
Resultado – Uma pasta saborosa.

Ingredientes
2 a 3 berinjelas
2 a 3 dentes de alho
Tahine (pasta de gergelim)
Limão
Azeite
Sal

Modo de preparo
Com a ajuda de uma pinça de cozinha, apoie as berinjelas direto sobre a boca do fogão (uma de cada vez). Vire de vez em quando para tostar todos os lados. Quando estiverem tostadas por fora e macias por dentro, as coloque em um saco plástico e feche (isso vai abafá-las e ajudar a retirar a casca depois).

Quando as berinjelas tiverem esfriado o suficiente para manuseá-las, retire a casca com as mãos — ela deve se soltar facilmente; se for preciso, limpe restos da casca sob água corrente. Corte-as em pedaços e, em uma tigela, acrescente o tahine (minha mãe recomendava uma xícara, mas eu pus menos que isso; acrescente até ficar cremoso), suco de limão, azeite e sal a gosto. Mexa, acerte o tempero, mexa novamente.

Sirva com pão ou vegetais crus em pedaços (cenoura, rabanete…).

Torta de banana com farofa e pingos de goiabada e memórias

Torta de banana do caderno de receitas da minha mãe

Esta foi a primeira receita que publiquei no blog. Não por acaso. Criei este espaço para retomar bons pratos e lembranças, e a torta de banana está entre as mais doces. Uma sobremesa de tabuleiro, simples mas com riqueza de sabor e texturas. A torta que minha mãe dava um jeito de fazer na sua rotina de mãe de três, aluna e professora, e eu levava satisfeita para as festinhas da escola.

Refiz neste fim de semana, para amigos. Meu filho não deu bola, preferiu o sorvete que acompanhava a torta. Mas vai comer no lanche em breve. Quem sabe perceba nela o gosto de carinho.

Teste número 73: torta de banana
Fonte –  Caderno de receitas da minha mãe.
Grau de dificuldade – Fácil.
Resultado – Gostosa e cheia de memórias.

Ingredientes
3 colheres (sopa) bem cheias de manteiga gelada para fazer a massa, mais uma para salpicar sobre a torta montada
Bananas bem maduras (eu usei 6, mas depende do tamanho da fruta)
Ameixas secas picadas
Goiabada cremosa (ou goiabada sólida cortada em cubos)
1 e ½ xícara de maizena
1 e ½ xícara de açúcar
1 e ½ xícara de farinha de trigo
1 colher (sopa) de açúcar aromatizado com baunilha (existe uma versão industrializada; eu usei uma versão caseira, feita com uma fava de baunilha já sem as sementes imersa em um pote de açúcar)
1 ovo

Modo de preparo
Corte a manteiga em cubos e leve ao congelador.

Enquanto ela gela, fatie a banana no sentido do comprimento, pique as ameixas secas e a goiabada (se for usar a sólida) e unte a a assadeira.

Peneire e misture a maisena, a farinha de trigo e os açúcares em uma tigela grande. Acrescente o ovo e a manteiga e misture delicadamente com os dedos até obter a consistência de farofa granulada, como a de cobertura de bolo cuca. Não demore muito no processo para a manteiga não derreter.

Na assadeira, distribua uma camada de farofa, outra de banana com pedaços de ameixas e colheradas de goiabada cremosa (ou cubos de goiabada sólida). Repita as camadas. Cubra com farofa e salpique pedaços de manteiga.

Leve ao forno a 190º C até a lateral dourar. Se seu forno tiver a função grill, use para dourar a cobertura.

Sirva quente ou fria, pura ou com sorvete.


Para cozinhar mais:

Tortinha de maçã — sobremesa fácil e gostosa como minha mãe dizia

Tortinhas de maçã verde
Doce não precisa ser complicado. Uma fruta tostada aqui, um sorvete de banana ali (que só não é mais simples do que banana em estado natural), um crepe de mexerica acolá… Com uma despensa razoavelmente abastecida ou uma passada rápida no mercado, sempre dá para improvisar algo gostoso. Como essa torta de maçã, tirada do caderno da minha mãe. Ela, aliás, vivia sugerindo que eu a preparasse a receita.

Lembrei do conselho materno quando, em um almoço com o pessoal do Soul Kitchen, o cozinheiro serviu uma tortinha de morango com chantilly dizendo que tinha se virado com os ingredientes disponíveis. Uma massa amanteigada quebradiça, uma fruta, um creme. Mais ou menos como na sobremesa da minha mãe, que fiz para um almoço com amigos.

Teste número 71: tortinha de maçã
Fonte –  Caderno de receitas da minha mãe.
Grau de dificuldade – Fácil.
Resultado – Um doce simples e gostoso, ainda mais quente e acompanhado de sorvete.

Ingredientes
Para a massa
2 colheres de sopa de manteiga gelada (mais um pouco para untar)
1 ovo
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de fermento químico
1 pitada de sal
Casca de um limão ralado
Canela
Farinha suficiente para dar consistência
Para o recheio
2 ou 3 maçãs (eu usei maçãs verdes)
Suco de um limão
2 copos de leite
3 gemas
3 colheres de sopa de açúcar
Gotas de extrato de baunilha

Modo de preparo
Bata o ovo com o açúcar. Junte a manteiga, depois os demais ingredientes da massa.  Misture, sem sovar ou amassar demais, até que fique uniforme. Unte as formas de torta e as forre com a massa.

Corte as maçãs em fatias finas. Jogue um pouco de suco de limão para que não escureçam. Distribua sobre as formas com massa.

Bata o leite, as gemas, o açúcar e a baunilha. Despeje nas tortinhas sem chegar até a borda, para que o creme não vaze.

Asse as tortas em forno pré-aquecido a 180 ºC até que as bordas fiquem douradas. Se tiver a opção “grill” no forno, ligue um pouco para dourar a superfície.

Salpique canela ao servir.

Tortas de maçã ainda na forma