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Cozinhar é fácil? (Com esta sopa de tomate e ovo, é, sim)

Sopa de tomate com ovo de gema mole

No lançamento do meu livro Cozinha de Vó, a conversa certa hora caiu no Fla-Flu do “cozinhar dá um trabalho danado” x “é mais simples do que parece”.  

Quem sou eu para dizer a alguém que passou o dia na labuta e só quer saber de desabar no sofá para pegar em panelas (no sentido culinário; no político nem me fale)? Ninguém, mas vou dizer mesmo assim. Ou melhor: em vez de pegar panelas, no plural, pegue uma panela. Porque, pelo menos para mim, o trabalho de cozinhar está muito ligado ao trabalho de limpar tudo depois.

A verdade é que, no fim do dia, o prato feito brasileiro assusta. Arroz, feijão, carne, leguminho e salada, que beleza, mas quanta coisa!

Minha amiga torcedora do Fla (“cozinhar dá um trabalho danado”) é também do time do arroz com feijão sempre. Dá para fazer no começo da semana e ir comendo, ela diz. Dá mesmo. Só que isso requer planejamento e, não sei você, mas eu nem sempre consigo me planejar. E não acho que toda refeição precise ter arroz e feijão.

Vamos descomplicar. Ou deixar a complicação para o dia em que temos tempo e paciência. Com bons ingredientes, fazer um prato gostoso pode ser sopa. Como na receita de sopa de tomate abaixo, tirada de um caderno da minha avó Viquinha.

Faz muita diferença usar tomates frescos bem maduros. Na pressa, ou na falta deles, você pode apelar para tomate pelado em lata (mas tirar a pele do tomate não dá tanto trabalho assim, e o sabor do fresco é diferente). O original pedia para coar os tomates, eu preferi mantê-los em pedaços e deixar que o tempo (uns 40 minutos) tratasse de desmanchá-los. Então acrescentei o ovo para que cozinhasse no líquido, deixando a gema mole (a gente pode dizer que gosta de gema mole ou precisa assinar termo de responsabilidade antes?).

Teste número 93 – Sopa de tomate com ovo
Fonte – Caderno de receitas da Vó Viquinha.
Grau de dificuldade – Fácil.
Resultado – Jantar gostoso sem complicação.

Ingredientes
1 quilo de tomates frescos bem maduros
1 cebola
2 colheres (sopa) cheias de manteiga
1 xícara de parmesão ralado na hora
Salsinha picada
Sal
Pimenta-do-reino
2 ovos
Torrada com queijo (opcional)
Molho inglês (opcional)

Modo de preparo
Faça cortes em cruz na pele do tomate, na parte oposta à do cabo. Coloque-os em água fervente por um minuto, depois retire. Espere que esfriem o suficiente para manuseá-los, então puxe a pele a partir do corte em cruz.

Refogue a cebola picada na manteiga. Junte os tomates cortados na metade e deixe que cozinhem até se desfazerem em pedaços macios (uns 40 minutos). Durante o cozimento, adicione o queijo, a pimenta-do-reino, um pouco de sal, a salsinha e, se for preciso, um pouco de água,

Na hora de servir, acerte o tempero, depois coloque dois ovos sobre a sopa e deixe que cozinhem. Ou sirva a sopa na tigela individual, coloque o ovo por cima e leve ao microondas para cozinhá-lo (fiz assim porque achei que seria melhor guardar a sobra da sopa sem ovo, mas no fim não sobrou nada…).  Salpique sal e pimenta sobre o ovo.

Fica gostoso acompanhar a sopa de uma torrada com queijo. Pingar um pouco de molho inglês também vai bem.

Rendimento: 2 porções

Para cozinhar mais:

Beterraba — um ingrediente, três versões

“A coisa mais notável sobre minha mãe é que por 30 anos ela serviu à família apenas sobras. A refeição original nunca foi encontrada.”
Calvin Trillin

Família pequena tem dessas coisas: você cozinha um ingrediente e, se bobear, passa os próximos dias comendo a mesma coisa, até enjoar. Claro, dependendo do que for, você pode congelar uma parte para consumir depois. Ou apelar para a velha sabedoria materna de aproveitamento: a sobra do almoço migra para o jantar, o resto do jantar dá as caras no almoço de amanhã e o almoço de amanhã… Bom, você sabe.

Para não pegar raiva do coitado do ingrediente repetido, vale criar variações. Hoje dou algumas sugestões para a beterraba. Tudo comida do dia-a-dia, para comer com gosto e sem complicação.

– Um acompanhamento básico (ou dois)
Frango ao tandoori com beterraba cozida e arroz

Refeição de dia de semana, sem tempo para gastar na cozinha. O prato principal foi um frango assado com limão, alho e tempero tandoori (tempero em pó indiano). Para acompanhar, beterraba cozida, ainda quentinha, com azeite, limão e sal.

Pois é, é só lavar, cozinhar em água, depois tirar a casca com as mãos, então fatiar e temperar já no prato. Quase tão fácil quanto fazer miojo.

As folhas também podem ser aproveitadas como salada. (Aliás, sabia que a humanidade começou comendo as folhas, e não a raiz da beterraba?)

– Uma salada com ovo e peixe em conserva
Salada de beterraba, ovo e dourada em conserva

A beterraba já cozida, mas não temperada, vira fácil uma salada com ovo e atum que pode ser tanto acompanhamento como recheio de sanduíche ou um prato principal frugal.

Outro prato fácil como miojo, mas bem melhor.

Faça assim:

1 – Cozinhe um ovo: deixe a água ferver, coloque ovo dentro com cuidado, conte 11 minutos então o transfira para uma tigela com água gelada para parar o cozimento antes de descascar.

2 – Corte a beterraba em cubos (se quiser uma salada morna, aqueça a beterraba primeiro).

3 – Em uma tigela, misture o ovo em pedaços, a beterraba, atum ou outro peixe enlatado (ficou ótimo com uma conserva portuguesa de dourada), azeite, sal e pimenta-do-reino. Mexa até o ovo e o azeite formarem uma liga cremosa.

– Uma sopa
sopa russa de beterraba com creme

A receita da sopa de beterraba russa veio do caderno da minha tia Olympia, de que já falei aqui. Existem versões mais elaboradas, com beterraba fermentada, smetana (creme de leite azedo; confira no post sobre estrogonofe) e adição de outros vegetais, como cenoura e batata.

Eu segui as instruções da receita familiar, bem fácil, alterando um pouco as quantidades e trocando farinha de arroz por amido de milho. Para fazer o caldo, cozinhei em água ossos de frango assado e sobras de vegetais (ponta e casca de cebola e alho, aparas de cenoura, talos de couve, ervas como cebolinha e alecrim) congelados; juntei também parte da água do cozimento da beterraba.

Ingredientes
3 beterrabas grandes cozidas e descascadas
½ colher de manteiga
2 litros de caldo de carne ou frango (ver parágrafo acima)
2 colheres (sopa) de amido de milho
Sal
Pimenta
Dill
Para acompanhar: creme de leite fresco com algumas gotas de limão ou smetana (leia mais aqui)

Modo de preparo
1. Processe a beterraba quente passando em um passador de legumes ou batendo no liquidificador.  Misture com a manteiga.

2. Leve o caldo para ferver e apurar. Engrosse misturando amido de milho.

3. Junte a beterraba ao caldo e deixe ferver (a consistência da sopa é líquida, com pedacinhos da raiz peneirada).

4. Acerte sal e pimenta.

5. Sirva com dill e creme de leite à parte.

Semana da sopa em casa

Patricia Abbondanza, da parceira Dedo de Moça, compartilha três receitas quentinhas

Chega o frio e a primeira coisa que eu penso é em cozinhar comidas quentes e tomar com um vinhozinho. Existem várias técnicas para fazer uma boa sopa, mas uma coisa é fato: um bom caldo caseiro é essencial. Eu costumo fazer sempre com caldos claros (aqueles mais leves, em que os ingredientes entram todos crus na panela) e dependendo do sabor da sopa eu uso o de carne, frango ou legumes. Essa semana fiz um festival da sopa lá em casa e vou contar um pouco como preparei cada uma.

Segunda: sopa de abóbora com gorgonzola
Sopa de abóbora com gorgonzola (Dedo de Moça)
Cortei a abóbora cabotian em cubos grandes e coloquei em uma assadeira com alho amassado, alecrim fresco, azeite, sal e pimenta (não me perguntem as quantidades porque faço tudo no olhômetro). Levei para assar no forno a 200 graus até a abóbora ficar bem macia. Depois, com ela ainda quente, coloquei no liquidificador para bater com caldo de carne (vou colocando e batendo aos poucos, até ficar na consistência que eu gosto). Voltei para a panela, acrescentei um pouco de creme de leite fresco (bem pouco mesmo, só para dar mais cremosidade) e acertei o sal. Servi com queijo gorgonzola. Yumy!

Terça: sopa de mandioquinha
Sopa de mandioquinha (Dedo de Moça)Em uma panela refoguei cebola com alho (bem pouco), juntei a mandioquinha, cobri com caldo de frango e deixei cozinhar até ficar bem macia. Bati no liquidificador, voltei pra panela e coloquei um pouco de creme de leite fresco, vinho branco e queijo parmesão ralado. Acertei o sal e tá na mesa!

Quarta: falso caldo verde
Caldo verde (Dedo de Moça)
Em uma panela cozinhei a batata no caldo de carne até ficar bem macia. Quando a batata chegou no ponto, juntei um pouco de couve (só pra assustar) e bati no liquidificador. Na mesma panela refoguei bacon e cebola bem picada e coloquei o creme. Deixei cozinhar para pegar o gosto e finalizei com um pouco de couve picada.

Quinta: dia de pedir uma pizza, hehehe.

 

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Marcos e a mãe, Ana

Por Marcos Nogueira*

Este relato faz parte de uma série de depoimentos sobre as delícias e as histórias da cozinha materna

Meus pais foram econômicos em demasia no cartório. Deram-me apenas um nome e um sobrenome — em oposição à onda barroca que, no longínquo ano de 1970, fez surgir uma profusão de nomes extravagantes como Renato José ou Rodrigo Sérgio. Meu nome passa a falsa impressão de que sou um português puro, daqueles que usam um lápis atrás da orelha. O sobrenome que falta na minha certidão de nascimento é o Bertoni da minha mãe, dona Ana, hoje com 84 anos.

Como muitos brasileiros, cresci numa casa ítalo-portuguesa ou, se preferir, luso-italiana. Mas a coisa era um pouquinho mais complicada. Minha mãe, neta de italianos, nasceu da mistura da gente germânica do Vêneto com os oriundi da mouraria apuliana — algo que, na península recém unificada, teria sido bem ousado. Mas aqui eram todos estrangeiros. Ou seja, eram todos brasileiros. E assim ela, a professorinha carcamana, se casou com o engenheiro luso-caipira, criado em Lençóis Paulista.

A comida de casa, como a comida de muitos lares paulistanos, refletia essa mescla. A macarronada de domingo vinha com farofa de farinha de rosca (mandioca ou milho seria pedir demais). A feijoada era uma das especialidades da dona Ana, assim como a bacalhoada e a pizza de massa fininha e molho cheio de alho.

Dona Ana fazia os cappelletti in brodo, patrimônio gastronômico do norte da Itália, à moda de uma canja portuguesa. Ou, por abordagem reversa, fazia uma canja em que o arroz era trocado por massa recheada”

A sopa de capelete da minha mãe, entretanto, é a receita que melhor traduz a mestiçagem latina da minha casa. Dona Ana fazia os cappelletti in brodo, patrimônio gastronômico do norte da Itália, à moda de uma canja portuguesa. Ou, por abordagem reversa, fazia uma canja em que o arroz era trocado por massa recheada.

Foi assim que eu conheci essa sopa: um caldo claro de frango com pedaços de cenoura, cebola, batata e tomate, mais lascas do próprio galináceo, e capelete. Era assim que eu achava que ela deveria ser, até ficar adulto e besta e começar a questionar a sacrossanta cozinha materna — sou, afinal, apenas metade italiano.

Em sua origem, os cappelletti in brodo eram feitos a partir de um caldo limpo (sem sólidos e coado) de carne, geralmente galo capado — o cappone, nem tente procurar. Acrescentava-se massa recheada com carne (frango, porco, boi ou qualquer combinação das três), queijo e miolo de pão e servia-se quente com parmesão ralado ao lado.

O capelete da dona Ana na versão do filho

Nunca pedi a receita para a minha mãe, apenas a observei na cozinha, então vou fugir de quantidades exatas. Sempre que começava a esfriar, ela cozia um peito de frango com osso em uma panela com bastante água, louro, cebola e alho grosseiramente picados, depois reservava a carne. Ao caldo, ela juntava batata, cenoura e tomate em pedaços grandes. Quando tudo estava macio, jogava os capeletes, daí servia a sopa com parmesão, azeite e o peito de frango desfiado à parte. Eu nunca fui muito de peito de frango cozido, então deixava-o quieto em seu canto. Já o resto, eu traçava três, quatro pratos seguidos.

Como sou besta (já disse isso?), reproduzo a fórmula da dona Ana com algumas alterações. Na verdade, não se trata de ser besta: a dinâmica da minha cozinha é diferente. Eu não gosto de frango cozido (já disse isso?) e faço caldos com ossos que sobram de outras refeições, para usar em sopas, risotos e molhos. Na sopa da foto, os ossos são de costela bovina e (acho) porco. Mas talvez parte deles seja de queixada — o saco estava sem etiqueta no congelador.

Você pode fazer com caldo de carne, de frango ou de legumes. Só não use caldo industrial — tem muito sal e um gosto terrível de coisas artificiais. Se você tiver paciência, sugiro que prepare um assado uns dias antes e depois cozinhe os ossos. Uma vantagem de usar ossos é não precisar retirar a gordura depois. Tá, você não vai fazer isso. Então proponho o seguinte: compre umas asinhas de frango, que são baratas e saborosas. Você pode assá-las junto com os legumes (eu prefiro assim) ou pular esta etapa. Aí vem a receita do brodo propriamente dito.

Coloque os legumes — uma cenoura, uma cebola e um ou dois talos de salsão — numa panela de pressão com os ossos ou a carne e o tempero de sua preferência. Ligue o fogo alto e, depois que subir o pino da panela, baixe a chama e deixe cozinhar por uma hora. Quando já não estiver tão quente, remova os sólidos (eu não coo o caldo) e, se precisar, a gordura — é preciso deixar na geladeira até o óleo que boia endurecer… Eu avisei que era chato.

Em outra panela, refogue uma cebola e dois dentes de alho em azeite. Acrescente o caldo e, em seguida, uma batata, uma cenoura e um tomate em cubos. Crus, por favor — aqueles que foram cozidos no caldo perderam sabor e textura. Ponha também algumas ervas, como louro e tomilho, sal e pimenta preta. Quando tudo estiver nos trinques, jogue a massa, que merece um parágrafo à parte.

Para a sopa da foto, eu comprei tortellini de frango do pastifício Di Cunto, da Mooca. Não porque sejam os melhores, mas porque eram os que a minha mãe cozinhava para mim. A rigor, o ideal é você fazer os cappelletti em casa — tarefa que apenas os santos abnegados têm disposição de encarar. Confie em seu paladar e compre a melhor massa recheada, de carne ou de queijo, que você conhece.

Sirva com bastante parmesão. Parmesão bom. Dos nacionais, o Randon e o Gran Mestri dão para o gasto.

Por fim, uma última curiosidade. Para escrever este texto, eu pesquisei as origens da canja. Wikipédia, nada de mais. Fiquei sabendo que ela vem da China, onde existe um mingau de arroz chamado juk, e chegou a Portugal quando os primeiros navegadores voltaram da Índia — onde mercadores malaios serviam a sopa com o nome de kanji.

Toda essa embromação para dizer que a sopa da minha mãe é um prato ítalo- sino-malaio-indo-português. Aproveitem e bom dia das mães a todas as leitoras!

* Marcos Nogueira é jornalista, sommelier de cerveja e marido da autora deste blog.

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Sopa de pedra (e carne com legumes)

Sopa de pedra (foto: O Caderno de Receitas)

Minha mãe nunca colocou pedra na sopa. Mas a história que contava, do homem que batia a uma porta e pedia uma panela e ingredientes para preparar uma deliciosa sopa de pedra, era suficiente para temperar com fantasia a sopa de legumes de muitas noites. Meu filho, para quem eu contei a mesma história, também devorou o jantar com um apetite fora do comum. Na verdade, ele queria comer até a pedra (sim, eu levei o conto ao pé da letra e preparei uma sopa de pedra com pedra, pescada com a concha na mesa do jantar).

O passo a passo abaixo é uma adaptação de uma receita do livro A Vida é Sopa, de Lizandra Magon de Almeida, que me trouxe a recordação dessa lenda de origem portuguesa. Do livro, também já preparei uma canja daquelas.

O livro “A vida é sopa” e a pedra da minha sopa (Foto: O Caderno de Receitas
O livro “A vida é sopa” e a pedra da minha sopa

Teste número 48: sopa de pedra
Fonte – Livro “A vida é sopa” (Pólen Livros).
Grau de dificuldade – Fácil.
Resultado – Um jantar reconfortante.

Ingredientes
½ cebola
1 dente de alho
Óleo vegetal
400 gramas de músculo limpo e cortado em cubinhos
2 folhas de louro
2 batatas
Sal
1 xícara de arroz integral
3 cenouras pequenas
1 abobrinha grande
1 punhado de vagem
1 tomate
Cheiro-verde
Azeite
Parmesão
Pimenta-do-reino
1 pedra (pouco porosa e grande, para facilitar a “pescaria” no final e evitar que alguém a coloque na boca – meu filho tentou)

Modo de preparo
Em uma panela de pressão, refoguei a cebola e o alho em um pouco de óleo. Juntei a carne e refoguei também. Acrescentei então 1,5 litro de água e fechei a panela. Quando a panela começou a fazer barulho de vapor, ajustei o fogo para o mínimo e cozinhei por 30 minutos. Aproveitei para picar a batata, a cenoura, a abobrinha, a vagem e o tomate em pedaços pequenos. Desliguei o fogo e esperei a pressão diminuir para abrir a panela. Coloquei na panela a pedra, a batata, o louro e o sal e deixei cozinhar com a tampa aberta por alguns minutos, então acrescentei o arroz integral. Cerca de 20 minutos depois, adicionei a cenoura, a abobrinha e a vagem e deixei mais alguns minutos. Por último, pus o tomate. Ao longo do cozimento, coloquei um pouco mais de água. No final, acertei o sal. À mesa, retirei a pedra e servi a sopa acompanhada de cheiro-verde picado, azeite, parmesão e pimenta-do-reino ralados na hora.

A sopa de carne com legumes e a pedra (foto: O Caderno de Receitas)

Sopa de canederli: bolinhas de pão e salame em caldo fumegante

Sopa de canederli: receita do restaurante Pignatellla, de Bento Gonçalves

Sopa de canederli é daquelas comidas com jeito caseiro, de avó que faz coisa boa com os ingredientes simples que encontra em casa. Gloria Gelenski Menoncin, do restaurante Pignattela, de Bento Gonçalves (RS), conta que essa e outras preparações foram pesquisadas entre as avós de origem tirolesa (do norte da Itália) que vivem nos arredores.

Visitei o restaurante recentemente  e consegui com Gloria a receita dessas bolinhas de pão e salame servidas boiando em um caldo de carne e legumes. Ela conta que tritura o miolo de pão colonial no processador, mas que originalmente ele era esmigalhado com uma garrafa usada como um rolo de macarrão.

(Se tiver a oportunidade de passar pelo Pignattela, repare no quadro que exibe receitas deixadas por clientes de todo o Brasil; eu coloquei lá uma de biscoitos de castanha-do-pará).

Ingredientes
Miolo de 1 pão caseiro envelhecido
100 gramas de salame fresco ou linguiça de porco
Salsinha
½ xícara (café) de queijo ralado
Leite
Caldo de carne e legumes

Modo de preparo
Passe o miolo de pão no processador. Misture com o salame e a salsinha picados, o queijo ralado e leite até dar liga para enrolar bolinhas. Coloque essas bolinhas no caldo fervente e cozinhe até que elas subam à superfície. Sirva bem quente.

Gloria Gelenski Menoncin e o "caderno" em que coleta receitas dos clientes do Pignatella