Categoria: Histórias e receitas

Histórias e receitas: da minha família ou da sua, de chefs de cozinha, de cozinheiros amadores e de todo mundo que tem uma boa lembrança de comida.

Sagu do Parador Hampel – coluna na Casa e Jardim

sagu - Parador Hampel - foto O Caderno de Receitas

Minha coluna de setembro na Casa e Jardim tratou de uma obsessão familiar: o sagu. Leia aqui também.

Em busca do sagu perdido

As pequenas obsessões contam muito sobre a gente. Minha mãe não consegue ver sagu e não comer. Em qualquer biboquinha, se tiver sagu, ela pede. Infelizmente, no Espírito Santo, onde hoje ela mora, poucas biboquinhas têm sagu. Então só em viagens, ou quando faz em casa, ela tem o gosto de reviver, ou tentar reviver, a sobremesa de vinho que comia na infância no Paraná, preparada pela mãe (que às vezes variava com sagu de suco de laranja ou de abacaxi).

Treinada desde criança, vou pelo mesmo caminho. Se vejo sagu, peço. E lembro da minha mãe que sempre pede sagu.

Foi assim no Parador Hampel, hotel campestre com 120 anos de história que foi revitalizado pelo chef Marcos Livi em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha. O cardápio se propõe a apresentar a cozinha do Sul. Então, claro, tem sagu — ou “caviar de gringo” (gringo, em gauchês, quer dizer descendente de italianos). “Sagu faz parte da minha infância e da infância de todo gaúcho”, diz Livi. “Lembro de abrir a geladeira da minha avó ou da minha mãe e roubar um pouco no meio da tarde, escondido, de colher.”

A receita servida pelo chef vem de Laura, mãe dele e dona da lanchonete Xis da Dona Laura em São Francisco de Paula. Experimentei no hotel cercado por araucárias, outra lembrança tão sulista, e, como sempre acontece diante de um sagu, senti como se minha mãe estivesse ao meu lado. Não estava, mas muitas vezes a presença mais forte não é a física.

Parador Hampel - foto O Caderno de Receitas

Receita

Sagu do Parador Hampel

Ingredientes

  • 500 gramas de sagu
  • 2,5 litros de vinho
  • 500 gramas de açúcar
    Para o creme
  • 4 gemas
  • 395 gramas de leite condensado
  • 2 colheres (sopa) de amido de milho
  • 2 litros de leite

Modo de preparo

  1. Coloque o sagu de molho em água fria (o suficiente para cobri-lo) por 15 minutos.
  2. Ferva o vinho. Junte o sagu com a água e o açúcar e misture.
  3. Deixe em fogo baixo por uma hora.

Modo de preparo do creme

  1. Bata no liquidificador as gemas, o leite condensado e o amido de milho.
  2. Coloque tudo em um panela com o leite até levantar fervura.

Couve-flor inteira no forno

Receita de couve-flor ao forno com páprica e alho

Gosto do visual da couve-flor assada inteira no forno e fatiada na hora de servir. Sem contar que é fácil demais de preparar.

Ingredientes

  • Couve-flor
  • Azeite
  • Páprica (doce ou picante, ao gosto do freguês)
  • Limão
  • Alho picado
  • Pimenta-do-reino
  • Sal

Modo de preparo

  1. Misture todos os temperos e esfregue na superfície da couve-flor.
  2. Coloque a couve-flor em uma assadeira e leve ao forno a 220º C até dar uma tostadinha (se o forno tiver grelha superior, vale a pena usar).

Couve-flor na chapa com manteiga de alho, limão e salsinha

Couve-flor na chapa com manteiga de alho

Não tem segredo. O que tem é manteiga, alho e salsinha, uma combinação que fica bem com couve-flor tostada e com quase tudo (ok, exagero, mas só um pouquinho).

Ingredientes

  • 1/2 couve-flor
  • 3 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 dentes de alho picados
  • 1 colher (sopa) de salsinha
  • 1 colher (sopa) de suco de limão
  • Sal

Modo de preparo

  1. Corte a couve-flor como se estivesse fatiando pão.
  2. Derreta a manteiga e misture aos demais ingredientes.
  3. Leve as fatias de couve-flor a uma chapa bem quente. Deixe tostar um pouco de um lado, depois vire.
  4. Jogue a manteiga por cima das fatias.

Penne com couve-flor, tomatinhos e crocante de pão

penne com couve-flor

Couve-flor é o tema da Newsletter do Caderno desta semana. Uma das receitas que a gente destaca lá é essa massa colorida e super-simples de preparar.

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Ingredientes

  • 1/2 couve-flor
  • 200 gramas de tomates pequenos (cereja, sweet grape ou outro)
  • 250 gramas de mezze penne tricolore ou outra massa colorida
  • Azeite
  • Sal
  • Pimenta-do-reino
  • Vinagre balsâmico
  • Ervas (alecrim, manjerona ou outras)
  • Miolo de pão amanhecido
  • Manteiga
  • Alho
  • Salsinha

Modo de preparo

  1. Corte a couve-flor em pedaços pequenos (2 ou 3 cm).
  2. Coloque em uma assadeira a couve-flor e os tomatinhos e tempere-os com azeite, sal, pimenta-do-reino, vinagre balsâmico e erva.
  3. Asse os vegetais em forno pré-aquecido a 220º, até os tomatinhos murcharem e a couve-flor ficar levemente tostada. Reserve, sem desprezar nada do caldo que se forma.
  4. Faça a farofa: em uma assadeira, leve ao forno miolo de pão esmigalhado coberto com pedacinhos de manteiga de salsinha (mistura de manteiga, alho picado e salsinha picada).
  5. Cozinhe a massa.
  6. Misture a massa cozida aos vegetais.
  7. Sirva com a farofa crocante e mais salsinha picada por cima.

Filho, me desculpe

Filho, perdão pelo sol que tiramos do seu céu, pela chuva que você não pode beber, pelas árvores de frutas encardidas, por tudo que você não vai conhecer porque nós destruímos - O Caderno de Receitas

Filho, perdão pelo sol que nós tiramos do seu céu.

Perdão pela chuva preta que você não pode beber. Não, não brinque de sentir as gotas na língua. Coisa suja.

Perdão pelas árvores com frutas encardidas.

Por tanta comida jogada fora.

Pelos rios que você nunca vai ver, porque secamos, enterramos, enlameamos.

Pela terra que morre e não dá mais nada.

Pelo pó de ferro que gruda nos pés e nos pulmões quando visitamos a casa da vó. Dos pés, esfregando sai.

Pelos peixes cheios de mercúrio, pelas abelhas que desaparecem.

Perdão por tudo que você nunca vai comer e beber. Por toda vida que você não vai conhecer.

Até chocolate dizem que corre o risco de acabar, acredita? Um mundo sem cacau…

Perdão pelo calor, perdão pelo frio, perdão pelo ar ruim que queima dentro da gente.

Perdão pelo mar. Eu sei, você gosta da praia, tem pedra, tem areia, tem planta. Mas a tia viu lixo, viu gato morto boiando. Não controlamos as correntes, filho.

Até tentamos, sabe, criar uma bolha. Comprar comida sem veneno, hortinha na janela, domingo no parque, escola com árvore.

Não é suficiente. A realidade explode a bolha. Invade nossa boca como o plástico que se quebra em pedacinhos e contamina tudo.

Eu queria ter feito mais, quero fazer mais, mas agora sinto que faltam forças. Só você para me animar. Talvez amanhã. Amanhã pode ser tarde.

(Texto que eu publiquei no blog O Caderno de Receitas no Globo)