Categoria: Fora de casa

Dicas e receitas de restaurantes.

Vamos nos encontrar no Festival Origem?

Festival Origem- A Conexão do Campo com a Gastronomia

Neste domingo eu, o chef Fellipe Zanuto, do Hospedaria, e a confeiteira Adriana Lira, do Dona Doceira, vamos falar de comida de vó em uma palestra no Festival Origem – A Conexão do Campo com a Gastronomia, organizado pelas revistas Época, Globo Rural e Casa e Jardim. É grátis, e vai ter limõezinhos recheados por Adriana, para degustar.

Fiz a curadoria do festival e, vou dizer, vai ter muita conversa e comida boa.

A partir das 17h de hoje até a noite de domingo, o Festival Origem vai reunir no Memorial da América Latina, em São Paulo, chefs, produtores e consumidores interessados em comer com prazer e consciência. É uma oportunidade para degustar ingredientes da biodiversidade brasileira, comprar alimentos de pequenos produtores e aprender mais sobre o que vai no prato.

Que tal provar queijos e embutidos artesanais e depois ouvir uma palestra de Jefferson Rueda, do A Casa do Porco Bar?

Ou você prefere partir para o estande do restaurante Clos, onde o chef Andre Ahn serve costelinha de porco ao molho de jabuticaba com pimenta fermentada, canjiquinha cremosa e emulsão de agrião?

No menu do restaurante Brado, o destaque é a língua de wagyu da fazenda Beef Passion, de carne sustentável certificada pelo selo Rainforest Alliance. Como acompanhamento, purê de batatas levemente defumado, miniagrião, pangrattato e picles de beterraba, com vegetais de produtores e cooperativas locais.

Ainda falando em carne, a palestra “De onde vem a carne que comemos” inclui um churrasco da Pecsa – Pecuária Sustentável da Amazônia.

O restaurante Hospedaria, que resgata receitas de imigrantes italianos, vem com dois pratos: lagarto marinado e pão de fermentação natural e cupim com purê de batatas, brócolis e alho confit.

Não vão faltar também frutos do mar, como o peixe da época grelhado ao missô artesanal de castanhas, acompanhado de berinjelas defumadas e legumes crocantes – prato que a chef Telma Shiraishi vai oferecer no restaurante Aizomê.

Em sua palestra/demonstração, Roberto Smeraldi, vice-presidente do Instituto ATÁ, vai preparar e servir como degustação miniarroz de sururu, feijãozinho de várzea e vitória-régia.

Entre as opções vegetarianas, coxinha de batata-doce com “carne de jaca” e estrogonofe vegano do Nambu Cozinha de Raiz; burger de cogumelos portobello e arroz negro servido com rúcula, tomate assado, picles de cenoura e maionese de alho levemente apimentada do Buzina Food Truck; açaí orgânico do Gorilla Tuk Tuk.

Para acompanhar, um bom vinho cai bem – e a palestra de vinhos orgânicos e naturais da sommelière Gabriela Monteleone pode ajudar a escolher um rótulo.

Para finalizar, sorvetes da Gelato Boutique, doces caipiras do Agostinho da Paçoca, delícias com frutas da Mata Atlântica do Instituto Auá.

Programação do Festival Origem

O Origem também tem:
– Happy hour com o food truck Veggies na Praça (hoje, 1/12).
– Oficinas para aprender a fazer: horta vertical em apartamento com a arquiteta Gabriella Ornaghi; chocolate a partir das amêndoas do cacau com Carolina Iwai, da Amma; cozinha vegana criativa com Renato Caleffi, do Le Manjue; tapioca com polvilho artesanal com Heloisa Bacellar, do Lá da Venda… “
– Atividade infantil: oficina “Uma horta brotou na minha cozinha”, com o viveiro Sabor de Fazenda.
– Palestras e demonstrações de cozinha com chefs premiados, como Ivan Ralston (Tuju), Bel Coelho (Clandestino), Oscar Bosch (Tanit) e Jefferson Rueda (A Casa do Porco).
– Dicas de Marcio Atalla para ter um estilo de vida mais saudável.He
– Palestra sobre veganismo com Alana Rox, apresentadora do GNT e autora do livro Diário de uma Vegana.
– Apresentação sobre plantas alimentícias não convencionais com Harri Lorenzi, coautor do livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil.

Cheeeseburger vegetariano do Veggies na Praça (divulgação)
Cheeeseburger vegetariano do Veggies na Praça criado especialmente para o Origem (foto: divulgação)

Queijos Pardinho (foto: divulgação)
Queijos artesanais do produtor Pardinho (foto: divulgação)

Sorvete de doce de leite com cumaru da Gelato Boutique (foto: divulgação)
Sorvete de doce de leite com cumaru da Gelato Boutique (foto: divulgação)

E muito mais! Confira a programação completa em www.festivalorigem.eco.

 

Arroz de cordeiro do Factório (e das festas de Rosângela Calixto)

Arroz de cordeiro do restaurante Factório (foto: divulgação)
Foto: divulgação

Receita de mãe está no menu de novo empreendimento paulistano que busca mesclar conceito internacional com toques de comida caseira

Tem avocado toast e tem enroladinho de queijo meia-cura, tem shakshuka judaica e tem galinhada, tem cevadinha vegana ou com linguiça, tem conceito inspirado no norte da Europa e tem comida de mãe goiana – sem regras de mãe. Arroz com costelinha de manhã? Pode. Iogurte com morangos amassados e granola no almoço? Pode também. Coquetéis a qualquer hora? Por sua conta e risco. Instalado na rua Amauri, em São Paulo, o Factório, novo empreendimento gastronômico de João Paulo Diniz, Ricardo Trevisani e Renato Calixto, levanta a bandeira dos sem bandeira.

“Fazemos uma cozinha all day, sem rótulo, em que qualquer comida é servida em qualquer horário”, diz Calixto, que deixou em abril deste ano a sociedade do Nino Cucina e do Peppino. “Vegetarianos, carnívoros, apreciadores de bebidas alcoólicas ou de café vão encontrar opções para congregar à mesa.”

A aposta em comida saudável, com muitos vegetais, e em um serviço flexível, que acompanhe a tendência de refeições com menos regras, vem de pesquisas em cidades como Londres, Berlim, Copenhagen e Amsterdam. Já o gosto por promover reuniões em torno da comida vem de família, assim como parte dos pratos do Factório, inclusive o arroz de cordeiro que é a especialidade da mãe dele, Rosângela Calixto.

Nas quatro ou cinco festas por ano que aconteciam no apartamento de Rosângela em Goiânia, o arroz de cordeiro (receita abaixo) era obrigatório. “Se eu não fazia, os convidados reclamavam. Falavam: mas eu vim pra comer isso!”, diz ela. De família árabe, aprendeu esta e outras receitas com a mãe. “Aos seis anos, eu subia em um toquinho para ajudar na cozinha.” Advogada, Rosângela já teve cozinha industrial para produzir marmitas e uma empresa de catering para festas.

O filho deixou Goiânia, mas nunca deixou o arroz da mãe. Passou por Barcelona, pela italiana Bra (onde fez mestrado na Universidade de Ciências Gastronômicas mantida pelo Slow Food), por Copenhagen. Morando em São Paulo, com frequência trazia marmitas para os amigos. Agora, com a mãe trabalhando com ele no Factório, tem o prato favorito à disposição, tanto na versão original como na forma de bolinho. Outros arrozes – dois por dia, como o de suã ou o de galinha – se revezam no bufê que ocupa o salão na hora do almoço, mas o de cordeiro está fixo no cardápio.

Nas sobremesas, se for para continuar na toada caseira, há bolo de tapioca,  servido com creme de limão e sorvete de cítricos. Ou que tal um sorvete de matcha? Aliás, os sorvetes, sorbets, geleias, granolas e pães (de fermentação natural) são feitos no próprio restaurante – ou comedoria, como ele se anuncia.

Em breve, um minimercado vai ser instalado em um canto do salão de 384 metros quadrados do imóvel que já foi uma fábrica – o nome Factório alude a isso, e a decoração, de ares industriais, acompanha. Os sócios também planejam eventos, como uma feira de rua, para tentar recuperar a importância gastronômica que um dia a rua Amauri teve. “Queremos que ela volte a ser uma rota de destino, como a rua dos Pinheiros ou os Jardins”, diz Calixto.

Arroz de cordeiro de Rosângela Calixto

Ingredientes
500 g de arroz agulhinha
200 g de costela de cordeiro
1 perna dianteira (paleta) de cordeiro (de 800 g a 1 kg)
200 g de amêndoas
250 g de manteiga
4 dentes de alho
2 colheres (sopa) de sal
1 colher (café) de pimenta-do-reino
1 pitada de orégano
Azeite

Modo de preparo
Cozinhe as carnes (costela e paleta) com o sal, a pimenta-do-reino, o orégano e o azeite. Após uma hora e meia, tire a costela da panela e reserve. Siga cozinhando a paleta até completar 3 horas e meia ou até que a carne esteja saindo do osso. Preserve o caldo do cozimento!

Cozinhe as amêndoas em água até soltar a casca (cerca de 10 minutos em água fervendo). Retire as cascas e frite as amêndoas em manteiga para dourar.

Desfie 1/3 da carne da paleta e coloque no forno a 180°C para secar e dourar, formando chips de carne.

Em uma panela grande, coloque os 2/3 restantes da paleta com 200 g de manteiga e um fio de azeite. Quando fritar, acrescente o arroz e o caldo do cozimento das carnes.

Doure a costela no forno usando uma assadeira.

Em uma travessa, monte o prato por camadas. Primeiro o arroz, depois os chips de cordeiro, então as amêndoas e por fim as costelas.

Se quiser, decore com cebolas caramelizadas e ervas. Vagens também podem cair bem.

Rendimento: 4 pessoas

Para cozinhar mais:

Pequeno guia do brunch em casa

Evento que mobiliza restaurantes, bares e cafés em São Paulo, Brunch Weekend inspira dicas para quem quer abrir o dia com uma refeição longa e gostosa preparada em casa

Brunch do Cateto (foto: divulgação)
Menu do Cateto no Brunch Weekend, incluindo torrada carbonara (foto: divulgação)

Mais do que uma mistura de café da manhã e almoço, brunch é um estilo de refeição. Combina com dias preguiçosos, em que cada bocado pode ser desfrutado com calma. Quase um piquenique sem grama nem formigas. Em São Paulo, 22 estabelecimentos servem menus especiais no Brunch Weekend, nos finais de semana de outubro. Como há quem prefira o conforto do lar, conversamos com os responsáveis pela cozinha de casas participantes do evento e selecionamos ideias para preparar em casa um brunch digno de fim de semana ao léu.

Não complique. Quem quer se esfalfar no fogão antes da primeira refeição do dia? Então conte com alguns itens prontos, mas especiais: pães, geleias, embutidos, queijos (vale conhecer o novo Caminho do Queijo Artesanal Paulista, que reúne pequenos produtores).

Prepare cereais no pote no dia anterior. A sugestão é de Giovanna Vilela, da casa vegetariana Organique-se. No dia anterior ao brunch, pegue um pote de vidro e sobreponha nele as seguintes camadas: aveia com leite de vaca ou de amêndoas; banana com canela; pasta de amendoim; mais aveia com leite; morangos. Mantenha na geladeira e faça bom proveito.

Não se esqueça do ovo. Pode ser um simples ovo mexido, preparado com manteiga e em fogo baixo para permanecer cremoso. Ou algo mais elaborado, como a torrada carbonara que Eduardo Jarussi serve no bar Cateto. Faça assim: pré-aqueça o forno a 180ºC; coloque nele, por 5 a 10 minutos, uma fatia grande de pão de grãos ou integral; tire o pão do forno e disponha nele algumas fatias finas de bacon; posicione uma gema sobre o bacon (com cuidado para não estourá-la); leve o pão com bacon e ovo ao forno por 10 minutos, no máximo; rale parmesão sobre a torrada.

Forme sua opinião sobre avocado toast. Na Austrália, nos Estados Unidos, na Inglaterra, virou obsessão comer ou falar mal de torrada com abacate. Giovanna Villela sugere uma versão em que, sobre a fruta amassada no pão, são colocados um ovo poché, tomate e molho pesto. Prove antes de opinar.

Brunch Weekend
Quando: até 29/10/2017, aos finais de semana
Onde: 22 estabelecimentos de São Paulo – confira a lista aqui.
Preço: menus a R$ 55, incluindo um drink com espumante Chandon.

Menu do Organique-se no Brunch Weekend
Menu do Organique-se, com ovos e cereais no pote (foto: divulgação)

Para cozinhar mais:

Risoto de imigrante – prato com truque de avó

Risoto de imigrante do restaurante Hospedaria (Foto: Wellington Nemeth)

Fellipe Zanuto foi buscar na cozinha das avós de origem italiana – e de outras avós – inspiração para o seu Hospedaria, restaurante recém-inaugurado na Mooca. A ideia, ali, é servir comida que remeta a dos imigrantes do início do século 20. Pratos que os faziam lembrar da terra natal, mas preparados com a estrutura e os ingredientes disponíveis no Brasil: risoto com arroz agulhinha em vez de arbório; queijo meia-cura no lugar do parmesão, nada de azeite (e muita banha de porco).

Muito do cardápio remete à Itália, pela própria história do chef. Uma das entradas é o molho de tomate servido em uma panelinha para mergulhar nacos de pão – como Fellipe fazia quando menino na casa da avó materna, Marlene, dona da receita de molho. Mas há também referências ao Japão (no frango a passarinho acompanhado de maionese caseira de mis com wasabi, gengibre e salsa fresca), a Portugal (no arroz de bacalhau), à Grécia (no moussaka). Para finalizar a refeição, uma brasileiríssima goiabada acompanhada de bolo de fubá ou um prosaico gelinho (suco congelado no saquinho) de limões siciliano e taiti, gengibre e hortelã.

Não à toa, Fellipe é um dos apoiadores da mostra Migrações à Mesa, que reúne cadernos de receitas de famílias de diferentes origens no Museu da Imigração. Recomendo muito a mostra, até porque cadernos e outros objetos de minha avó materna, descendente de espanhóis, estão lá, até 27 de junho.

Assim como as receitas dos cadernos expostos no museu, o menu do Hospedaria é um mexidão paulista temperado de memórias e sabores familiares. E se tem um prato que traduz isso é o risoto de imigrante, um arroz de forno cremoso, farto, pedaçudo. Vem da avó paterna de Fellipe, Elzira, o truque que dá cremosidade ao arroz agulhinha: adicionar pés de galinha durante o cozimento, para que liberem colágeno (tutano também ajuda na consistência).

Fellipe Zanuto resgata receitas de imigrantes no restaurante Hospedaria
Fellipe no Hospedaria

Abaixo, a receita passada pelo chef.

Ingredientes
Óleo
1 cebola grande
1 cenoura
1 talo de salsão
6 pés de galinha
300 g de extrato de tomate
250 g de paleta de porco (a receita tradicional da família de Fellipe levava presunto)
250 g de sobrecoxa de frango desossada
1 kg de arroz agulhinha tipo 1
Caldo de legumes (se faltar líquido no cozimento do arroz)
20 vagens holandesas
10 ervilhas tortas
5 palmitos pupunha limpos
Azeite ou manteiga
200 g de queijo meia cura
Cebolinha
Sal
Pimenta
Ovos
Tutano (opcional)

Modo de preparo
Em uma panela grande, refogue com óleo metade da cebola picada em cubos grandes, a cenoura, o salsão e os pés de galinha. Adicione o extrato de tomate e refogue bem. Adicione 4 litros de água e deixe ferver e reduzir um pouco. Coe o caldo (a ideia de utilizar os pés de galinha é para dar sabor e colágeno ao caldo) e reserve.

Coloque a paleta no forno a 160 ºC, coberta com papel alumínio, e deixe de 2 a 3 horas.

Em outra panela, refogue o restante da cebola com os pedaços de sobrecoxa picados e o arroz. Adicione o caldo feito no início e cozinhe o arroz até ficar no ponto (se precisar de mais líquido, utilize um caldo de legumes básico).

Faltando poucos minutos para o final da cocção do arroz, adicione os pedaços de paleta em cubos.

Branqueie as vagens, ervilhas e o palmito (cozinhe-os rapidamente em água fervendo, em seguida mergulhe-os em uma tigela com água e gelo para interromper o cozimento). Refogue os vegetais rapidamente em uma frigideira com um pouco de azeite ou manteiga e reserve.

Coloque o arroz em uma assadeira, cubra com o queijo meia cura e leve ao forno no máximo de temperatura, apenas para derreter o queijo.

Frite os ovos com a gema mole. Tire o arroz do forno e monte nos pratos junto com os vegetais e com o ovo. Adicione então a cebolinha picada.

Dica: utilize tutano na finalização do arroz na panela. Coloque o quanto achar suficiente e misture bem. Irá trazer um ótimo gosto e uma ótima aparência ao arroz.

(Fotos: Wellington Nemeth)

Para cozinhar mais:

Ovo mollet — porque nós amamos ovo

[caption id="attachment_4498" align="alignnone" width="660"]Ovo mollet com purê de pupunha e molho de cogumelos Ovo mollet com pupunha e cogumelos do chef Renato Carioni (foto: divulgação)[/caption]

Se há um ingrediente que eu amo, é ovo. De preferência com gema mole. Aparentemente, o público deste blog compartilha da minha opinião, pois o post mais visto de todos é a receita de ovos com brioche e queijo ao forno. Dado nosso histórico (meu e dos leitores), me apressei em pedir uma receita quando soube que o restaurante Così faria um festival de ovo mollet (preparação francesa de clara cozida e gema mole). O chef  Renato Carioni passou, e eu a reproduzo abaixo.

Em tempo: o festival, com quatro versões do prato a R$ 37 cada, vai até 2 de outubro. O restaurante fica na rua Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília, São Paulo – SP.

Ovo mollet com purê de pupunha e molho de cogumelos

Rendimento: 4 porções

Ingredientes
4 ovos
Farinha de trigo e rosca e um ovo para empanar
100 gramas de cogumelos de paris
50 gramas de manteiga
2 dentes de alho picados
50 mililitros de vinho branco
200 mililitros de creme de leite fresco
Sal
Pimenta-do-reino
200 gramas de pupunha cozido e amassado
Óleo para fritar

Modo de preparo
Cozinhe os ovos em água fervente por 4 minutos e 30 segundos, resfrie rapidamente em água e gelo, descasque com cuidado e empane passando em farinha de trigo, ovo batido e farinha de rosca. Reserve.

Refogue os cogumelos na manteiga, adicione o alho picado e o vinho branco e deixe reduzir, acrescente o creme de leite e tempere com sal e pimenta.

Aqueça o pupunha, frite o ovo por imersão a 180 ºC até que fique bem dourado e sirva em seguida com o molho.

Para cozinhar mais:

Guacamole como deve ser

Foto: Tadeu Brunelli
Os mexicanos chamam de
mayoras as mulheres que, ao herdar o conhecimento de receitas passadas oralmente de geração para geração, atuam como guardiãs dos sabores tradicionais do país. Guillermina Ordoñez é uma delas. “Ser mayora é uma grande responsabilidade”, diz. Aprendeu na fazenda da família, na região de Puebla, o trato com o milho, o feijão, as pimentas. Quando criança, acordava às 4h e, antes de sair para a escola, preparava a massa das tortillas que comeria quando voltasse para começar a jornada no campo. Hoje, aos 59 anos, trabalha no restaurante Nicos, na Cidade do México, listado entre os 50 melhores da América Latina pela The Latin America’s 50 Best Restaurants Academy — e ainda acha que não há tortillas como as de sua terra natal, feitas com milho fresco e água das montanhas e estendidas artesanalmente em um instrumento de pedra chamado metate.
Foto: Tadeu Brunelli

Guille veio a São Paulo para participar da Semana de La Gastronomía Mexicana y del Tequila do restaurante Obá, até domingo (31 de julho). Trouxe na bagagem ingredientes difíceis ou impossíveis de achar por aqui (como pimentas mil, queijos e nozes frescas para os sazonais chiles en nogada), histórias de encher os ouvidos e receitas que a acompanham desde a infância (e vêm da infância da mãe, da avó, da bisavó…).

Seus sabores vão deixar saudade. Mas ela deixa também uma receita de guacamole e uma dica: prepare na hora de servir, assim não é preciso acrescentar limão para evitar o escurecimento do abacate. “O limão muda o gosto, esconde o abacate”, diz Guille. “Em casa, em uma refeição, preparo o resto e deixo o guacamole por último. Aí faço esse prato sem pressa, bem fresco.”

Ingredientes
2 colheres (sopa) de tomate picado
1 colher (sopa) de cebola picada
1/2 colher (sopa) de pimenta jalapeño (ou a gosto) picado
1 colher (sopa) de coentro picado
1 pitada de sal
1 fio de azeite
1 avocado em pedaços

Modo de preparo
Misture todos os ingredientes e sirva imediatamente com tortillas ou totopos (pedaços de tortilla fritos ou tostados) — se não tiver nada disso, improvise com torradinhas.

Assista ao vídeo da preparação:
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=zQZlfSqURzw]

Confira o menu que Guillermina serve até 31 de julho no Obá:

antojitos para tequilear, compartir y platicar

chilponzontle:
reconfortante “caldinho” de massa de milho, tomate assado, chipotle, miúdos de frango e matruz, uma tradição de tlatlauquitepec, povoado da mayora guille. (R$18)

garnachas poblanas: 4 tortillas de milho com carne desfiada e batata; banhadas em salsa roja e verde, um clássico nas mesas do estado de puebla. (R$24)

burritos de chilorio: 4 taquitos de tortilla de trigo recheados de porco ao estilo do estado de sinaloa na boca do mar de cortés: chile ancho, cravo, orégano, cominho e segredinhos. (R$26)

pelliscadas: 4 tortillas de milho beliscadas na borda criando pratinhos deliciosamente recheados de salsas roja e verde; com cebolinha e queijo… delírio de carnívoros y vegetarianos. (R$22)

pescadillas de minilla: 4 tacos crocantes recheados de refogado de peixe tradicional do estado de veracruz no golfo de méxico: peixe, tomate, alho, salsinha, alcaparras, amêndoas e passas. (R$32)

tayoyos de alberjón: 4 tortinhas de massa de milho gordinhas e recheadas de ervilha verde com folha de abacate; tradição caseira e de rua no estado de puebla onde nasceu a dona guille. (R$24)

tacos de nopalitos: faça seus 4 taquitos com salada de cactos (o do figo da índia) com tomate, cebola, coentro, azeite e chile de árbol; saudável tradição do nosso dia a dia. (R$26)

chilpachole de jaiba: sopa de siri, picante, quente, com muita pegada perfumada com chiles, canela e mastruz. (R$34)

tamal de pollo con mole poblano: uma das pamonhas de milho mais amadas, recheada de frango com mole, molho milenar de pimentas, especiarias, gergelim e chocolate. (R$20)

vuelve a la vida: um clássico coquetel de frutos de mar recomendado para curar ressacas: camarão, polvo, siri, ostra e lula. (R$38)

guacamole: cada casa, restaurante, chef e mexicano tem seu jeitinho de preparar este clássico… não deixe de provar o da mayora guillermina. (R$22)

guizos que unen a los mexicanos alrededor de la buen mesa

entomatado de res: ossobuco suculento em molho de tomate e chipotle, pimenta mexicana sedutora; com frijolitos de la olla e arroz (R$55)

pollito adobado: frango caipira ensopadinho em molho de chile ancho, cravos e folha de abacate; arroz branco para acompanhar… que ricooo!! (R$47)

rajas con papa y crema: tirinhas de chile poblano com batatas, cebola e creme; servido com tortillitas quentes para fazer taquitos vegetarianos e deixar os carnívoros de olho gordo. (R$39)

pescado em michmole: de origem pré-hispânica, peixe em molho de salsa verde, chile serrano, massa de milho e salada-de-negro (um dos nomes da deliciosa verdolaga no Brasil). (R$64)

lengua en pipian: língua de boi em molho de semente de abobora com raízes muito antigas; perfume de cominho e chile ancho, receita da família do restaurante nicos; arroz branco. (R$45)

enchiladas colimenses: tortillas de milho recheadas de picadillo e cobertas com um molho de tomatillo (tomate verde), chile guajillo e rapadura.. têm um toque doce delicioso. (R$42)

costillitas de cerdo en salsa verde: costelinhas de porco e cogumelos em molho de tomate verde e chile serrano, mais caseiro impossível; frijolitos de la olla. (R$52)

birria tatemada do estado de zacatecas: um bode tão arretado que até o lampião trairia a maria bonita; pra fazer tacos inesquecíveis aptos só para cabras machos e belas, recatadas do lar; e ainda acompanham frijolitos de la olla. (R$49)

dulces como abrazo de madre   

tamal de cazuela de chocolate: pamonha de milho doce preparada na cumbuquinha de barro e recheada de chocolate mexicano. (R$19)

platanos al horno con miel de maguey: banana da terra assada com mel de agave. (R$17)
Serviço:
O Obá Restaurante fica na rua Dr. Melo Alves, 20, em São Paulo.
Telefone: 11 3086-4774
www.obarestaurante.com.br