Categoria: Da minha família

Receitas dos cadernos da minha mãe e da minha avó materna.

Gelatina de manga, amora e limão — com fruta de verdade

gelatina de manga e amora

Meu filho me ajuda a experimentar de novo o gosto do mundo como se fosse a primeira vez. Até o gosto de gelatina, em que eu não via a menor graça desde que deixei de ser criança. Reaprendi a gostar depois de fazer para o Pedro — mas não aquela de sabor artificial e cores berrantes, e sim a preparada com fruta mesmo.

Essa gelatina com fruta de verdade foi tema da minha coluna na revista Crescer. Faz um sucesso danado com as crianças, meu filho e outras.

Você pode variar as frutas mas algumas não vão dar certo, como o abacaxi fresco, que tem uma enzima que atrapalha a gelificação (uma possível solução é aquecer o suco ou comprar uma versão pasteurizada). Muito limão também pode dificultar o processo, mas na proporção que usei funcionou.

Experimentei com limão, amora, manga, suco de uva… Alguns nem adocei, outros ficaram melhor com mel ou açúcar.  Em geral, prefiro não coar, mas a amora, por exemplo, pode ter sementes chatinhas.  Dá para colocar em formas próprias para gelatina e desenformar ou servir direto no recipiente em que ela endureceu — o que evita desmoronamentos… 

Se quiser desenformar, coloque o fundo da forma em uma tigela com um pouco de água morna, sem molhar a gelatina, e espere alguns instantes antes de virar a gelatina sobre o prato em que vai servir. Se não funcionar de primeira, volte à água morna, espere um pouco mais e tente novamente.

Gelatina de manga

Ingredientes

  • 1 manga sem muito fiapo, como a palmer
  • 1 envelope de gelatina sem sabor em pó

Modo de preparo

  1. Bata no liquidificador manga e água (o suficiente para a mistura ficar com 400 ml).
  2. Misture bem a gelatina em 1/4 de xícara de água fria. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre e sem deixar ferver, para que se dissolva completamente.
  3. Misture a água com gelatina ao suco de manga e despeje em formas ou tigelas. Leve à geladeira para firmar.

Gelatina de amora

Ingredientes

  • 150 gramas de amoras
  • 2 colheres de sopa de mel (ou a gosto)
  • 1 envelope de gelatina sem sabor em pó

Modo de preparo

  1. Bata as amoras com mel e água (o suficiente para mistura ficar com 400 ml). Coe passando por uma peneira.
  2. Misture bem a gelatina em ¼ de xícara de água fria. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre e sem deixar ferver, para que se dissolva completamente.
  3. Misture a água com gelatina ao suco de amora e despeje em formas ou tigelas. Leve à geladeira para firmar.

Gelatina de limão

Ingredientes

  • 1 limão
  • 2 colheres sopa de mel (ou a gosto)
  • 1 envelope de gelatina sem sabor em pó

Modo de preparo

  1. Faça 400 ml de suco com o limão, o mel e água.
  2. Misture bem a gelatina em ¼ de xícara de água fria. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre e sem deixar ferver, para que se dissolva completamente.
  3. Misture a água com gelatina ao suco de limão e despeje em formas ou tigelas. Leve à geladeira para firmar.

Para cozinhar mais:

Livro Cozinha de Vó

Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante

Picolé de caipirinha: drink gelado de limão ou maracujá

picolé de caipirinha de limão e de maracujá

Eu fiz os picolés de caipirinha inicialmente pensando no Carnaval, mas eles não são uma má ideia para um fim de semana qualquer. Talvez este fim de semana qualquer.

Você pode variar com as frutas de sua preferência, ou mesmo tentar outros drinques. Só não exagere no teor alcoólico, porque:

  • A gente tem a tendência de consumi-lo mais rápido do que toma um drinque, até para o picolé não derreter.
  • Álcool congela a uma temperatura mais baixa que água. Se a proporção dele na mistura for alta, talvez não solidifique. (O site The Spruce Eats sugere quatro parte de água ou suco para uma de bebida alcoólica).

Respeitados os princípios acima, o preparo é simples. Tão fácil quanto fazer uma caipirinha.

Ah, um cuidado adicional: se você tiver criança em casa, não dê bobeira com o picolé no freezer para evitar confusões.

Receita

Ingredientes

  • Água
  • Cachaça boa
  • Limão, maracujá ou a fruta da sua preferência
  • Açúcar

Modo de preparo

  1. Misture 200 ml de água, 50 ml de cachaça boa, fruta (suco de 1 limão ou polpa de 1 maracujá), 3 colheres de chá de açúcar (ou a gosto).
  2. Coloque em formas ou copinhos e espete palitos. Se quiser, no picolé de limão acrescente fatias bem finas da fruta.
  3. Leve ao congelador e espere firmar.

Para cozinhar mais:

Compre na nossa loja online!

Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante

Sopa de cenoura assada para uma boa noite caseira

Sopa de cenoura assada

Eu gosto de segunda-feira. Gosto de terça, de quarta, de quinta, de sexta. Do sábado e do domingo também. Pensei nisso enquanto tomava esta sopa de cenoura assada e refletia sobre o privilégio que é estar à noite em casa com meu filho.

A panela fumegante ajuda a compor a cena, mas na verdade ela não é o mais importante, apesar de estar no centro da mesa. O que interessa é parar, um voltado para o outro, compartilhar o momento, conversar — “Mas não só conversar, filho. É para comer também”.

Voltando à sopa. Esta, eu fiz de última hora, porque era o tempo que eu tinha, e com os ingredientes que eu tinha. Tostar a cenoura ajuda a acelerar o processo e ainda dá um sabor especial, que você pode chamar de sabor reconfortante de rotina ao lado de quem a gente gosta.

Receita

Ingredientes

  • 1/2 dúzia de cenouras
  • Azeite
  • 1 cebola
  • 2 dentes de alho
  • Orégano, salsinha e cebolinha frescos (ou as ervas que você tiver ou preferir)
  • 1/2 litro de caldo de carne (veja aqui como fazer; ou compre um congelado, como este)
  • Páprica doce
  • Cominho
  • Molho inglês
  • Sal
  • Limão-cravo ou taiti
  • Pão integral
  • Modo de preparo
  1. Corte as cenouras em rodelas e jogue numa assadeira com azeite e uns galhinhos de orégano fresco. Leve ao forno alto, com a grelha superior ligada (se houver), e mexa de vez em quando.
  2. Enquanto a cenoura assa, pique uma cebola e dois dentes de alho e refogue no azeite. Acrescente o caldo de carne, páprica doce, cominho, salsinha, molho inglês, sal.
  3. Quando a cenoura estiver bem dourada, junte-a à sopa. Desligue o fogo e bata tudo com o processador manual (ou transfira para um liquidificador). Se quiser mais densa, volte ao fogo para apurar. Se quiser mais líquida, acrescente água.
  4. Ajuste o sal e complete o tempero com limão espremido.
  5. Na mesma assadeira da cenoura, coloque uns cubinhos de pão integral com azeite e orégano e toste rapidamente no forno. Sirva sobre a sopa, junto com cebolinha picada e um fio de azeite.

 

Para cozinhar mais:

Compre na nossa loja online!

Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante

Torta de liquidificador: uma receita e um pequeno giro no tempo

Torta de liquidificador é desses pratos que a geração da minha avó aprendeu a fazer com os fabricantes de eletrodomésticos — e adotou com gosto pela praticidade.

Se antes o preparo de doces e salgados era herança passada de mãe para filha ou trocada entre primas e vizinhas, agora não havia mais segredo: estava tudo explicadinho no rótulo do leite condensado, no manual da batedeira, no programa de TV patrocinado pelo supermercado.

Eu exagero, claro. As receitas de família continuaram a existir. Mas, especialmente a partir de meados do século 20, novas preparações se fizeram de casa e antigas preparações ganharam novos ingredientes: quanta banha de porco não foi substituída por margarina, quanto carcaça de frango não se viu trocada por caldo em cubinho.

Antes da pesquisa para escrever o livro Cozinha de Vó, eu nunca tinha parado para pensar que a receita de torta “da minha mãe” foi uma sugestão da indústria para nossa família (ainda que tenha chegado a nós por meio de uma vizinha, que por sua vez a aprendeu com a sogra). Mais óbvia era a origem do creme de legumes que chamávamos de sopa Walita, porque minha bisavó tinha aprendido a prepará-lo em uma aula promovida pela marca.

Assim como a bisa Maria, muitas mulheres recorriam a cursos e demonstrações para se instruir sobre as invenções que prometiam facilitar o dia a dia. A tal modernidade era especialmente sedutora em uma época em que as garotas começavam a partir para o mercado de trabalho, mas ainda eram vistas como únicas responsáveis pela manutenção do lar.

Ou do LAR, em maiúsculas, como no texto de abertura de um livreto de receitas da Walita dos anos 1950:

“A senhora adquiriu um Walita, adquiriu portanto uma fonte inesgotável de saúde, e de economia de tempo.

Ao usar seu Walita na preparação de pratos — e de sucos, a senhora estará aproveitando em seu valor integral todo o teor vitamínico dos legumes e das frutas empregadas nos mesmos. Estará portanto contribuindo para o desenvolvimento sadio do seu filhinho, para o sucesso do seu marido, enfim, para a sua própria felicidade. Felicidade essa, baseada no sorriso franco de um rostinho rosado, no bom humor de um homem bem alimentado e na esposa sadia que está sempre disposta e que com satisfação se dedica ao que há de mais belo na vida: — o LAR.”

Outros tempos esses, que fiquem lá atrás. Mas a torta de liquidificador — ops, torta da minha mãe — eu não vou renegar. Gosto da massa fofa, do sabor simples e bem temperado de ingredientes confortavelmente triviais.

O recheio admite variações de acordo com a despensa: sardinha, presunto e queijo, carne moída. Da última vez que fiz, aproveitei um refogado de frango com tomate que estava congelado e acrescentei palmito, azeitonas verdes sem caroço e orégano.

Receita

Ingredientes

  • 2 xícaras de leite
  • 2 ovos
  • 1/2 xícara de óleo
  • 10 colheres (sopa) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de fermento
  • 1 pedaço de queijo curado (uns 50 gramas)
  • 1 dente de alho
  • Cheiro verde ou outras ervas
  • Pimenta-do-reino
  • Sal a gosto

Modo de preparo

  1. Bata todos os ingredientes da massa no liquidificador.
  2. Despeje parte da massa em uma assadeira untada. Por cima, despeje o recheio e depois o restante da massa.
  3. Asse em forno pré-aquecido a 200 ºC até firmar.

Para cozinhar mais:

Compre na nossa lojinha!
Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante

Bolo relâmpago (relâmpago para um bolo…)

Bolo relâmpago do caderno de receitas da minha mãe

O caderno de receitas da minha mãe chama esse bolo de “relâmpago”, mas acho o nome um tiquinho de exagero, já que a massa leva uns 40 minutos para assar… Um título mais preciso seria “bolo de nada” ou “bolo simples com cobertura de açúcar e canela”…

Quer saber? Caderno de receitas de mãe também tem suas manchetes sensacionalistas. Quem pensa que título caça-clique surgiu com a invenção do clique na internet está enganado.

Mas vamos relevar. O preparo do bolo, fora a parte de assar, é rapidinho mesmo — até com a ajuda do Pedro, meu assistente mirim, que colaborou colocando os ingredientes na tigela e depois levou um pedaço na lancheira (outro eu comi no lanche da tarde).

Então hoje eu vou chamar esta receita de “bolo de segunda-feira”. Quem quiser que invente outro nome.

Ingredientes

  • 10 colheres de sopa de açúcar (mais um pouco para polvilhar)
  • 10 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 3 ovos
  • 1 xícara de leite
  • 1 pitada de sal
  • 1 colher de sopa rasa de fermento químico em pó
  • Canela em pó

Modo de preparo

  1. Bata no liquidificador ou na batedeira o açúcar, a farinha, a manteiga (derretida), os ovos, o leite e o sal. Acrescente o fermento e bata mais.
  2. Despeje a massa (que fica bem líquida) em uma travessa untada e enfarinhada.
  3. Polvilhe açúcar e canela na superfície.
  4. Asse em forno pré-aquecido a 200ºC até o bolo ficar levemente dourado e um palito, quando enfiado no meio da massa, sair sem pedacinhos de massa grudados.

Para cozinhar mais:

Compre na nossa lojinha!
Capa do Livro Cozinha de Vó - Mariana Weber - Superinteressante