Categoria: Da minha mãe

Testes de receitas do caderno da minha mãe.

Como fazer crocante de caramelo com nozes

Crocante caseiro de caramelo e nozes
No caderno de receitas minha mãe, este crocante finaliza a mousse de maracujá que adoçou o fim de inúmeras refeições em família. Azedinha e perfumada, mousse de maracujá é, na minha opinião, a única capaz de rivalizar com mousse de chocolate (que tem chocolate, então não preciso falar mais nada). Com a adição da doçura e da textura do caramelo, o doce de fruta fica ainda melhor (olha a competição aí, chocolate!). Mas a verdade é que qualquer sorvetinho de baunilha ganha graça com esta farofa crocante.

Teste número 65: crocante de caramelo
Fonte – Caderno de receitas da minha mãe.
Grau de dificuldade – Fácil.
Resultado – Uma cobertura lindona e saborosa para sorvetes e outros doces cremosos.

Ingredientes
1 punhado de nozes (ou castanhas, amendoins, macadâmias…)
1 xícara de açúcar
Manteiga para untar

Modo de preparo
Pique as nozes — você pode usar uma faca ou quebrá-las dentro de um saquinho plástico, batendo com um martelo ou um pilão.
Em uma panela, derreta o açúcar, sem deixar escurecer demais. Jogue as nozes picadas no açúcar derretido, mexa rapidamente e em seguida despeje em uma assadeira untada, formando uma camada fina. Lembre-se de que o açúcar fica muito quente, então tome cuidado.
Quando esfriar, martele o caramelo para triturá-lo e fazer a farofa.

Mousse de maracujá em xícara de brinquedo que foi da minha tia-avó
Mousse de maracujá em xícara de brinquedo que foi da minha tia-avó

Patê fácil de cebola e queijo minas

A louca do queijo (eu) ataca novamente. E mais uma vez é por um bom motivo. Porque quero mostrar um patê muito simples, feito com ingredientes comuns na despensa e na geladeira, que pode virar um recheio saboroso de sanduíche ou um petisco fácil de preparar de última hora.

Peguei a receita do caderno da minha mãe —  ela sempre tem uma pastinha para servir quando recebe alguém — e fiz antes de um jantar para uma amiga. No dia seguinte, o mesmo patê ganhou pedaços de azeitonas e, dentro de sanduíches, foi a um piquenique no parque.

Se quiser, varie o tempero, acrescentando páprica, orégano ou pimenta calabresa.

Teste número 64: pasta de queijo e cebola
Fonte – Caderno de receitas da minha mãe.
Grau de dificuldade – Moleza.
Resultado – Um patê saboroso (e um bom jeito de salvar queijos sem graça).

Ingredientes
250 gramas de queijo minas fresco
½ cebola grande
Um fio generoso de azeite
Um pouco de leite ou creme de leite para ajudar a bater
Sal
Pimenta-do-reino

Modo de preparo
Bata tudo no liquidificador. Se for servir como entrada, trasnfira para um pote e regue com um pouco mais de azeite.

Espinafre gratinado com presunto e parmesão (a arte de variar a verdura de todo dia)

espinafre gratinado
Eu gosto do básico. Refogado no azeite, de preferência com alho, ou cru, como salada. Mas espinafre vai bem de uma infinidade de jeitos: em bolinhos, omeletes, tortas, cremes, gratinados… E variar também é gostoso.

No caderno de receitas da minha mãe, este prato estava anotado como espinafre à Lígia. Preparei no jantar como acompanhamento de uma torta de queijo, que servi também com tomatinhos frescos. A combinação funcionou, e a verdura em si ficou saborosa. A Lígia em questão está de parabéns, embora eu não saiba bem quem ela é — segundo minha mãe, provavelmente uma amiga da minha avó.

Teste número 63: espinafre à Lígia
Fonte – Caderno de receitas da minha mãe.
Grau de dificuldade – Fácil.
Resultado – Um bom creme de espinafre gratinado.

Ingredientes
1 maço de espinafre picado
2 colheres (sopa) de manteiga
½ xícara de leite
1 colher (sopa) de maisena
1 ovo batido
200 gramas de presunto picado
100 gramas de parmesão
Farinha de rosca para polvilhar

Modo de preparo
Refogue o espinafre  na manteiga. Junte o leite e espere secar um pouco. No fogo baixo, junte o ovo e misture bem. Coloque também o presunto e tire logo do fogo. Despeje em uma assadeira. Polvilhe o parmesão e a farinha de rosca por cima. Leve ao forno a 200ºC para gratinar (se tiver a função grill no forno, aproveite).

Do jantar ao piquenique: torta de parmesão com gorgonzola

torta de queijoTorta acrescenta uma pitada de travessura no cotidiano arroz com feijão das refeições. Mesmo quando é simples como esta torta de queijo, anotada como pastelão no caderno de receitas da minha mãe.

O original levava banha, mas eu não tinha em casa. Nem toucinho havia no mercado (sério!), para derreter e aproveitar a gordura. Fui de manteiga, e tudo bem. Ao parmesão pedido nos ingredientes, juntei um pouco de gorgonzola (delícia, marca Serra das Antas), e acho que deu um toque especial. Por fim, fiz o dobro da massa recomendada, com medo de o recheio transbordar.  

No noite de sábado, servi a torta acompanhada de espinafre (outra receita que publicarei em breve aqui) e tomatinhos. Domingo, o que sobrou virou piquenique no parque.

torta-de-queijo-com-tomate-e-espinafre-1

Teste número 62: pastelão de queijo
Fonte – Caderno de receitas da minha mãe.
Grau de dificuldade – Fácil.
Resultado – Gostoso no jantar, gostoso no piquenique do dia seguinte.

Ingredientes
Para a massa:
2 colheres (sopa) de manteiga
1/2 xícara de leite morno
Sal
1 xícara de farinha de trigo (aproximadamente; acrescente aos poucos)
Para o recheio:
200 gramas de parmesão e 50 gramas de gorgonzola (ou a mistura de queijos que você quiser)
1 colher (sopa) de farinha de trigo
1 xícara de leite
3 ovos bem batidos
Pimenta-do-reino
Sal, se necessário (vai depender do queijo usado; na minha torta, não foi preciso acrescentar sal)
Para decorar:
Ervas frescas (usei alecrim)
Pimenta-rosa

Modo de preparo
Misture a manteiga, o leite e o sal, depois junte a farinha aos poucos e amasse com as mãos até obter uma massa lisa. Deixe-a em repouso por uma hora.

Para o recheio, rale o queijo (eu usei o processador para facilitar), depois misture bem todos os ingredientes.

Depois de deixar a massa descansar, espalhe-a em uma forma untada, em seguida despeje o recheio. Leve ao forno médio (190ºC) por cerca de 20 minutos.

Após retirar a torta do forno, salpique ervas e pimenta-rosa.

torta-de-queijo-cortada

A maior festa junina do mundo (e uma receita de curau)

Festa junina

Não existia nada mais animado que a festa junina da vila.

Será que a fogueira era tão grande quanto a torre de labaredas que habita a minha memória? E os dias e noites de festa, tão sem fim?

A vila em questão era o conjunto de residências (12?) com uma pracinha em que morei quando criança. Lembro com saudade dos paralelepípedos, dos tatus-bolas do jardim, do entra e sai da casa de amigos, do Pimpão, meu cachorro que sempre escapava para visitar o açougueiro do bairro e voltava todo pimpão com um osso entre os dentes.

Ali vivi uma infância de interior no meio de São Paulo. Algo mais evidente na festa junina, quando os moradores se juntavam para organizar o que, para mim, era a maior festa do mundo (e, de algum modo, talvez ainda seja). Corta bandeirinha, empilha lenha, decora a cadeia, prepara os quitutes, come come come corre corre corre dança dança dança…

Outro dia, publiquei no Facebook um vídeo de pé de moleque e duas amigas comentaram: que saudade da festa junina da vila! Por um instante, pensei: vamos nos reunir, vamos refazer a festa, agora com nossos filhos! Impossível. Podemos nos reencontrar, claro. Vai ser bom, acho. Mas lembrança não se refaz.

A vila, mesmo se ainda estiver lá, já não está. Talvez tenha sobrevivido ao furor imobiliário que não aguenta ver uma nesga de horizonte na cidade, mas, para mim, agora é uma vila, e não a vila, a minha vila, a nossa vila. Provavelmente é a vila de outras crianças. Ou melhor: espero que seja a vila de outras crianças.

Minha criança, meu filho, vai ter suas próprias vilas. Algumas, vai conhecer ao meu lado. Outras, vai desbravar por conta própria, e talvez encontre nelas um pouco da vila que mora em mim.

Em tempo: em breve vou publicar a receita do pé-de-moleque, porque ainda estou fazendo testes. Por enquanto, publico novamente uma receita de curau superfácil que está entre as mais buscadas do blog.

Curau de fubá: sobremesa junina de última hora

Curau com fubá e leite de coco caseiro

Ingredientes
100 gramas de coco ralado desidratado (cuidado para não comprar a versão adoçada!) ou ½ xícara de leite de coco industrializado
1 xícara de leite
½ xícara de fubá
¼ de xícara de açúcar
1 colher (sopa) de manteiga
Canela para polvilhar

Modo de preparo
Bata no liquidificador o coco ralado com água quente suficiente para cobri-lo. Esprema a mistura em uma peneira fina para obter o leite. (Se for usar o leite de coco pronto, pode pular os passos deste parágrafo.)

Coloque em uma panela o leite de coco, o leite de vaca, o fubá e o açúcar. Mexendo sempre para não empelotar, esquente a mistura até ferver. Acrescente a manteiga, misture e desligue o fogo.

Despeje o curau em duas tigelas pequenas e alise a superfície com uma espátula. Salpique canela e leve à geladeira.

Leia também:

Chips de batata-doce assados e crocantes

Lampião e Maria Bonita – doce junino de goiabada caseira, queijo e calda de rapadura

Bolo de fubá com raspas de limão e queijo ralado

Pãezinhos de milho para comer com manteiga

Pipoca caramelizada da infância do chef Leo Paixão

10 ideias para variar a pipoca